Primeiros nomes do Festival MED anunciados na BTL (com fotogaleria)

Primeiros nomes do Festival MED anunciados na BTL (com fotogaleria)

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Asian Dub Foundation (Reino Unido), Dub Inc (França), Morgane Ji (Ilha da Reunião), La Pegatina (Espanha), 47 Soul (Palestina), Gato Preto (Moçambique/Gana/Portugal) e os portugueses Miguel Araújo, Orelha Negra, Sara Tavares, Gaiteiros de Lisboa, Teresa Salgueiro e Melech Mechaya são os primeiros nomes confirmados para a 15ª edição do Festival MED, anunciados durante a apresentação do evento na BTL – Bolsa de Turismo de Lisboa, esta quinta-feira, 1 de Março.

Nos dias 28, 29 e 30 de Junho e 1 de Julho (este último o Dia Aberto, de entrada livre), o Festival MED regressa à Zona Histórica de Loulé para mais uma edição que promete apresentar ao público nomes consolidados do panorama da World Music mas também novos projectos, dando a conhecer até países e culturas com os quais os portugueses estão pouco familiarizados. É o caso da Ilha da Reunião, ilha francesa localizada no Oceano Índico que, pela primeira vez, terá a sua representação no MED.

A 15ª edição terá 75 horas de música, 55 bandas de 20 nacionalidades diferentes, com mais de 260 músicos a actuar em 9 palcos em vários pontos do recinto. A par da música, e uma vez que o Festival MED é uma fusão cultural dos quatro cantos do Planeta, onde diversas manifestações têm lugar, das artes plásticas ao design, passando pelo teatro, novo circo, cinema, poesia, fotografia ou gastronomia, este ano 80 expositores de artesanato e produtos agro-alimentares, quatro exposições espalhadas pelo recinto, 5 grupos diários de animação de rua e muita gastronomia típica de diversos países vai animar o casco medieval da cidade de Loulé.

Passado um ano desde que o Festival MED recebeu o prémio de Melhor Festival de Média Dimensão da Península Ibérica nos Iberian Festival Awards, Carlos Carmo, vereador da Câmara Municipal de Loulé e director do evento, sublinhou o “reconhecimento público de diversas entidades” relativamente a este festival que constitui, cada vez mais, uma imagem de marca da cidade de Loulé. Este ano, o evento vai disputar o prémio final nestes galardões com outros festivais portugueses e espanhóis nas categorias de Melhor Festival de Média Dimensão, Melhor Promoção Turística, Contributo para a Sustentabilidade, Melhor Actuação (Portugal/Espanha) para Ana Moura e Melhor Festival Lusófono e Hispânico.

Com mais de 30% de visitantes de nacionalidade estrangeira, de acordo com dados das últimas edições, “o MED constitui um importante veículo de promoção do destino Algarve”, como sublinhou o seu director, Carlos Carmo. Daí o facto de voltar a estar integrado na plataforma Portuguese Summer Festivals, do Turismo de Portugal, ao lado de mais sete dos maiores festivais do País.

Prosseguindo uma política de sustentabilidade, nesta edição mantém-se a aposta já ganha de integrar no MED medidas de defesa ambiental que lhe valeram a atribuição do “Sê-lo Verde”, como é o caso do Copo Ecológico, que tem permitido uma substancial redução de copos de plástico, ou o Movimento Zero Desperdício, com a distribuição das refeições não consumidas durante os dias do festival a famílias em situação de maior vulnerabilidade do Concelho.

Durante a apresentação do MED na Bolsa de Turismo de Lisboa, o presidente da Autarquia, Vítor Aleixo, salientou o crescimento que este evento tem tido em quase 15 anos de existência, em que “vários factores convergiram para este ser um festival que se viria a impor”. Referindo o contributo para a actividade turística do País, o autarca sublinhou que, não obstante da organização pretender reinventar, a cada ano que passa, o Festival MED, o conceito do evento manter-se-á.

Presentes nesta sessão estiveram também dois artistas que este ano irão subir ao palco no Festival. Voz inconfundível da música portuguesa, Teresa Salgueiro, ex-Madredeus agora numa carreira a solo, manifestou a sua satisfação em integrar o cartaz do MED: “Estou muito honrada com este convite para actuar num festival que é um lugar de encontro, de um público português de várias regiões e de um público de diversos países”, considerou.

Já Carlos Borges, dos Gaiteiros de Lisboa que este ano regressam a Loulé, reafirmou o prazer em estar naquele que é “um dos maiores festivais de Portugal e que há anos que muito faz pela divulgação da música nacional”.

Os bilhetes para o Festival MED estarão à venda, em breve, em www.bol.pt

Toda a informação AQUI.

Sobre os artistas

Originários de Londres, os Asian Dub Foundation são uma banda que mistura os ritmos do dub, drum and bass, reggae ou rock, com melodias tradicionais da Índia e letras de rap. Passados cerca de 20 anos de protesto contra a opressão e injustiça social, por vezes é fácil esquecer o quão este grupo multicultural britânico é musicalmente inventivo, explosivo e poderoso nas atuações ao vivo.

De França juntam-se a esta 15ª edição do MED os Dub Inc, uma das maiores referências do reggae na Europa e cujo background e influências musicais diversificadas de cada membro estão na origem de uma sonoridade muito distinta e original deste coletivo. Sonoridades tão diversificadas que vão desde as melodias e ritmos tradicionais do reggae, passando pelo hip-hop, o electro-dub ou música africana, resultam num som refrescante que os destaca de todas as outras bandas reggae europeias

Embora a França seja o seu país adotivo, o coração de Morgane Ji estará sempre em Reunião, a ilha paradisíaca no meio do Oceano Índico. Com uma voz única, sensual e selvagem, marcada pela sua prosa lírica idiomáticas e os seus gritos xamanescos, promete surpreender o público em Loulé.

A festa irá fazer-se, certamente, ao som dos espanhóis La Pegatina. Com uma energia incomum vêm mostrar ao vivo a adrenalina que tão bem os caracteriza . O seu estilo é variado: eles vão do merengue e da rumba ao ska com grande facilidade para acabar nas loucuras do punk cigano ou nas músicas de hooligans.

Formados em Amã, na Jordânia, em 2013, os 47Soul são uma banda de eletrónica/hip-hop árabe. Os seus elementos fazem parte da diáspora. A sua sonoridade inovadora, criada através dos sintetizadores analógicos, linhas de guitarra hipnóticas e contributo vocal de todos os integrantes, fez com que se destacassem não só no mundo árabe mas também no Ociednte.

A música dos Gato Preto reflete as suas raízes: as batidas polirítmicas do Gana, o calão português de Moçambique e o incrível djambé do Senegal. A banda faz parte da cena afro-futurista internacional, com atuações em várias partes do globo e a colaboração de muitos artistas internacionais.

Nesta edição há quatro regressos portugueses a Loulé: Miguel Araújo, Orelha Negra, Sara Tavares e Gaiteiros de Lisboa.

Miguel Araújo é um dos artistas portugueses mais completos da nova geração. É hoje considerado, já, um dos grandes nomes da música nacional, destacando-se como compositor, letrista, cantor e músico, sendo bem-sucedido em cada uma destas vertentes que compõe a sua multifacetada e eclética carreira. São já muitas as canções da sua autoria, cantadas por si e por outros (Azeitonas, dos quais faz parte, António Zambujo, Ana Moura, Carminho) que integram o espólio das grandes canções populares portuguesas deste século.

Os sons que Sam the Kid, Dj Cruzfader, Francisco Rebelo, João Gomes e Fred produzem juntos são envolventes, mas ouvi-los e vê-los ao vivo, é um prazer verdadeiramente misterioso. Prova disso são as elogiosas críticas que o quinteto recebeu acerca da sua atuação em diversos espetáculos que confirmam o excelente momento que Orelha Negra atravessa, sendo considerada por muitos jornalistas “a melhor banda portuguesa da atualidade”.

O primeiro álbum de Sara Tavares foi gravado com o coro gospel Shout!; o segundo, “Mi Ma Bô”, propunha uma sonoridade de fusão afro-pop-soul raramente tentada em Portugal, registada em França e produzida pelo franco-congolês Lokua Kanza. Chegaria ao Disco de Ouro em Portugal – inabitual num mercado onde a música de raízes negras só muito raramente atinge os primeiros lugares de vendas. Ambos foram passos de gigante em direcção a uma sonoridade pessoal e intransmissível, onde as suas raízes cabo-verdianas, o seu amor pela soul e a sua facilidade com uma melodia contribuem para criar uma verdadeira música do mundo, alimentada pelos encontros e pelas viagens que Sara Tavares fez ao longo dos anos.

Os Gaiteiros de Lisboa são um dos mais importantes grupos de renovação e reinvenção da música tradicional portuguesa. Com uma obra ímpar, originalíssima, que conta com cinco álbuns de estúdio e um ao vivo, para além de inúmeros concertos em Portugal e no estrangeiro, traçaram e continuam a traçar novos caminhos para a nossa música identitária, de raiz, que neles nunca ficou lá atrás mas esteve, está e estará sempre de olhos postos no futuro. Inventivos, muitas vezes revolucionários, criadores de novas sonoridades, instrumentos e (re)leituras da nossa lírica popular.

Não é exagero classificar a voz de Teresa Salgueiro como um dos tesouros imateriais da cultura portuguesa contemporânea: o seu percurso de três décadas, iniciado com os Madredeus em 1986, e prosseguido, a partir de 2007, em nome próprio, garantiu-lhe sólido reconhecimento internacional e um carinho muito especial por parte do público português que se habituou a encontrar na sua voz uma das mais belas marcas da sua própria identidade. Depois de múltiplos projectos em que colaborou com diversos artistas e explorou um vasto leque de influências, Teresa Salgueiro assume-se como criadora de ambientes mágicos de uma beleza indiscutível e revela a singular multiplicidade das suas facetas artísticas, ao interpretar os seus arranjos originais para canções portuguesas, temas do seu repertório de autora, sem esquecer a homenagem ao seu antigo grupo, em canções que todos sentimos de forma muito próxima.

Formados no final de 2006 com João da Graça no violino, Miguel Veríssimo no clarinete, André M. Santos na guitarra, João Novais no contrabaixo e Francisco Caiado na percussão, os Melech Mechaya são hoje apontados como a primeira e mais proeminente banda de música Klezmer em Portugal. A sonoridade do grupo de Lisboa e Almada inspira-se ainda na música portuguesa, balcânica e árabe, e Salvatore Esposito, da revista italiana BlogFoolk, considerou-os “um dos casos mais interessantes da cena musical portuguesa”.

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