O cancro não gosta de beijinhos

O cancro não gosta de beijinhos

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A OPINIÃO de BEJA SANTOS; Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor; Consultor do POSTAL
A OPINIÃO de BEJA SANTOS;
Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor;
Consultor do POSTAL

Uma mãe ou um pai são sempre super-heróis, sobretudo quando estão a lutar contra o cancro e sentem o terno apoio dos filhos. O livro “O cancro não gosta de beijinhos”, Edições ASA, 2018, por Jessica Reid Sliwerski e ilustrações de Mika Song, toca-nos pela sua simplicidade e autenticidade, aborda a forma como o diagnóstico desta doença num adulto pode ou deve ser transmitido aos filhos pequenos e como o respetivo tratamento pode ou deve ser vivido em família.

Mais tocante é porque se baseia na história verídica de uma mãe a quem foi diagnosticado cancro da mama quatro meses após o nascimento da filha, e o leitor acompanha as fases do tratamento – a cirurgia, a quimioterapia, a queda do cabelo, a radioterapia, seremos envolvidos nesta cura pelos afetos e na forma como se comunica tão delicadamente que há um cancro que tem de ser combatido. O mínimo que se pode dizer é que é uma obra de encanto pedagógico que incentiva os doentes oncológicos na sua luta quotidiana enquanto se trata o cancro.

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A capa da obra de Jessica Reid Sliwerski e de Mika Song

Esclareça-se que existe a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (www.apamcm.org, telefone 217 585 648), com a missão, entre outras iniciativas, de promover a prevenção do cancro da mama, incentivar o diagnóstico precoce, realizar meios complementares de diagnóstico, prestar cuidados de saúde à população em geral e difundir ações de sensibilização e educação para a saúde. Dentro destas ações de sensibilização, divulga materiais como “Aprenda a Fazer o Auto Exame da Mama” e “A Prevenção é o Segredo”, dos quais retemos os seguintes aspetos:

O carcinoma da mama é a neoplasia mais frequente na população feminina, corresponde à segunda causa de morte por cancro na mulher. Em Portugal são detetados anualmente cerca de 6 mil novos casos de cancro de mama e 1 500 mulheres morrem com esta doença. A Associação a que fazemos referência dá consultas, possui um serviço de medicina física e de reabilitação, incentiva a fazer o rastreio mamário e ginecológico, promove nas suas instalações uma consulta-piloto, que é gratuita, e produz materiais para auto exame da mama, chamando atenção para as alterações mais frequentes (da mama, do mamilo e da pele). Recorde-se que a possibilidade de ter cancro da mama aumenta com a idade (uma mulher com mais de 60 anos apresenta maior risco), igualmente uma mulher que já tenha tido cancro da mama (numa mama), tem maior risco de ter esta doença na outra mama. Há outros factores a ter em conta, como a história familiar.

Se bem que a incidência da doença tenha aumentado ligeiramente, é bom que se diga que a mortalidade por cancro da mama é baixa, a doença tem um bom prognóstico. Cerca de 85% das mulheres com cancro da mama estão bem cinco anos após terem estado doentes. A mortalidade por cancro da mama tem baixado de modo contínuo e consistente, atribuindo-se este fenómeno quer ao rastreio que permite o diagnóstico de carcinomas em estádios cada vez mais precoces, quer ao tratamento.

Que história tão bem contada, tão cativante, este “O cancro não gosta de beijinhos”!

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