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Populares manifestaram-se contra o furo de petróleo em Aljezur (com fotogaleria)

Fotos: Maria Simiris - Jornal POSTALmore
Os manifestantes fizeram-se ouvir à porta da CCDR Algarve (Foto: Maria Simiris - Jornal Postal)more

Cerca de meia centena de pessoas juntaram-se à porta da CCDR Algarve em Faro, na manhã desta terça-feira, dia 5 de Junho. No Dia Mundial do Ambiente, a manifestação foi contra o furo de prospecção de petróleo, que está planeado ser feito a 46 quilómetros da costa de Aljezur.

As palavras “Petróleo não, Turismo sim”, “Sim à vida”, “Nem um furo” foram gritadas durante toda a manhã em Faro. O barulho fazia-se ouvir em toda a zona centro do Algarve e os cartazes mostravam claramente o descontentamento das pessoas que ali se reuniram.

O objectivo era a manifestação durar o dia todo, enquanto na CCDR Algarve decorria um debate sobre o ornamento do território com a presença do Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. Contudo, este não compareceu e, em vez disso, estiveram presentes Miguel Freitas, secretário de Estado das florestas e do desenvolvimento rural, e Célia Ramos, secretária de Estado do ordenamento do território e da conservação da natureza. O debate foi encurtado para a parte da manhã, sendo que a população acabou por dispersar com o fim do mesmo.

“Neste país há facilidade para a corrupção”

Catarina Sá, terapeuta, era uma das manifestantes que mais se fazia ouvir, segurava um cartaz que ilustrava “Petróleo no Algarve não”. Para esta manifestante: “É tudo menos indignação, porque se houvesse indignação, da nossa parte, isso seria reconhecer que haveria muita ignorância sobre esta matéria. Mas não há ignorância nenhuma, o que há é uma facilidade para a negociata e para a corrupção neste país. A prospecção de petróleo é um grande negócio para alguns”.

Luís Pata veio de Sines de propósito para a manifestação, faz parte da associação ALA – Alentejo litoral pelo Ambiente e trabalhou durante 30 anos na indústria da refinaria do petróleo. Para este reformado, a sua maior preocupação passa pelos perigos que o furo pode vir a trazer tanto para os algarvios como para a fauna e flora do local.

“O furo vai acontecer numa zona de falha sísmica que nós temos e foi assim que houve um acidente muito grande, há uns anos, no Golfo do México. Havia lá um furo de prospecção e as válvulas partiram-se o que fez um desastre ecológico tremendo naquela zona”, referiu Luís Pata.

Quanto ao facto de não se realizar o estudo do impacto ambiental, Luís Pata afirma: “é algo absolutamente incrível, porque em toda a zona litoral do Alentejo, se uma pessoa quiser construir um galinheiro tem de ter inúmeros processos de ambiente e uma coisa destas não? Isto só significa que o Governo e as entidades aqui envolvidas estão perfeitamente subjugadas aos interesses internacionais”.

“Onde está a democracia? Estamos a viver uma ditadura camuflada”

Rosália faz parte da PALP – Plataforma Algarve livre de Petróleo e, ao POSTAL, admitiu que depois de analisar os documentos disponíveis para consulta pública concluiu que em momento algum estes falam em medidas de segurança. “Nós acreditamos que estamos a viver uma ditadura camuflada porque o Governo não está a cumprir as leis, não está a cumprir leis ambientais. Onde está a democracia? Eu não percebo o que é que estes contratos têm de especial, se nem a nível económico são benéficos para Portugal”, declara a manifestante.

Já para o professor João Martins, a presença dele à porta da CCDR tem uma razão clara: “Eu estou aqui porque sou contra a exploração de petróleo no Algarve, no Alentejo, no país em geral. Nós queremos a impugnação do furo de petróleo de Aljezur imediatamente. Isto é um crime hediondo que se vai cometer contra as populações do Algarve, do Alentejo, contra os nossos filhos, contra as futuras e actuais gerações”.

Finaliza, prometendo: “Vamos embora, mas vamos preparar os próximos protestos”.

(Maria Simiris / Henrique Dias Freire)

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