Joaquim Peres: ‘A Águas do Algarve é um pulmão vital para a...

Joaquim Peres: ‘A Águas do Algarve é um pulmão vital para a região’

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"As pessoas ao consumirem água da torneira não estão a correr riscos, antes pelo contrário, estão a consumir um produto de qualidade", refere o presidente da Águas do Algarve. (Foto: D.R.)
“As pessoas ao consumirem água da torneira não estão a correr riscos, antes pelo contrário, estão a consumir um produto de qualidade”, refere o presidente da Águas do Algarve. (Foto: D.R.)

A Águas do Algarve é a empresa responsável por garantir o abastecimento de água para consumo humano e o tratamento de águas residuais em toda a região, de acordo com os mais elevados padrões de qualidade e fiabilidade. Surge no Algarve em Agosto de 2000, abrangendo todos os 16 concelhos, em cerca de 450 mil habitantes em época baixa e perto de um milhão e meio em época alta.

Joaquim Peres é o presidente da empresa desde Fevereiro de 2016. Para o engenheiro e professor catedrático, é um gosto dar de beber a todos os algarvios. Ao POSTAL, Joaquim Peres explicou qual o papel do Ambiente na Águas do Algarve, como funciona a relação com os consumidores e quais as aspirações do futuro para a empresa.

O que é a Águas do Algarve?

É um local de trabalho extraordinariamente interessante com pessoas muito interessantes. Tem um conjunto de colaboradores, muito empenhados na missão que têm e com quem é bom trabalhar. A Águas do Algarve é um pulmão vital para a região porque para além de poder fornecer água com qualidade, quantidade e pressão, trata ainda os afluentes que antecedem a chegada ao meio receptor, com a despoluição necessária. Factor que contribui para a existência de praias de excelente qualidade, com bandeiras azuis, por todo o litoral. Sabendo que contribuímos um pouco para que isso aconteça é extraordinariamente importante e interessante.

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Acima de tudo é a responsabilidade de dar de beber ao Algarve.

É a responsabilidade de dar de beber ao Algarve, a quem cá mora e a quem cá passa. É também dar de beber água de qualidade. É um produto de qualidade, certificado e por isso extremamente importante. Há que passar a mensagem que as pessoas ao consumirem água da torneira não estão a correr riscos, antes pelo contrário, estão a consumir um produto de qualidade. Mas a nossa actividade não se esgota no fornecimento da água. Depois, é ainda preciso tratar do afluente e deixá-lo de maneira a que ele possa ser reutilizado com uma finalidade necessária. Isto tudo para não haver a necessidade de consumir água previamente tratada como água para consumo humano.

A água da torneira do Algarve tinha fama que não era de qualidade. Houve um grande trabalho da vossa parte para mudar essa situação?

Tinha fama e proveito. Essa situação devia-se às origens da água. Antes de 2005, as únicas origens da água que tínhamos eram aquelas que provinham de furos feitos para a retirada de águas freáticas. Com o acréscimo do consumo foi-se verificando que esses aquíferos começaram a ser contaminados com águas salgadas. Desse modo, a água ficou extraordinariamente salobra. Portanto, a água do Algarve ganhou uma má fama na região. Quando a captação deixou de se fazer exclusivamente através de furos, com recolha das águas do subsolo, e passou a ser feita à superfície, da Barragem de Odeleite/Beliche e posteriormente com a construção da Barragem de Odelouca, também desta origem a barlavento, passando a ter uma qualidade diferente. Por um lado, passámos a consumir uma água com melhor sabor e melhores aplicações, por outro, não estando a rebaixar os níveis de águas freáticas, impedimos a entrada de água salobre. Ela não só era má para quem a consumia, como também para quem a utilizava nas operações de rega. A pouco e pouco estaria a ser provocada uma desertificação dos solos.

Passou de uma água com má qualidade para uma água certificada.

Em alta é a única no país. Isso deve-se ao trabalho de toda agente. Ao trabalho das ETAS (Estação de Tratamento de Águas), mas também ao trabalho que se desenvolve nos laboratórios. Lá, é feito um conjunto de análises com uma frequência tão grande que permite que o produto seja rastreado em contínuo no dia-a-dia. Quando a água sai das nossas ETAs temos a certeza de que aquele produto está verificado e de acordo com aquilo que são as mais elevadas exigências dessa certificação.

ETAS existem em que sítios no Algarve?

ETAS temos as duas grandes, em Alcantarilha e em Tavira. Depois existe uma nas Fontainhas e outra no Beliche. E é nessas quatro estruturas que se encontra todo o pessoal de laboratório, que de forma interessada se dedicam a controlar todos os parâmetros, de forma a garantir que a água certificada se continue a manter. O grande problema não é obter a certificação, é mantê-la.

Depois de se obter a certificação há que garantir que a qualidade se mantém.

Há um conjunto de análises que depois são feitas nos pontos de entrega. São análises que são repetidas e daí o produto poder ser certificado, uma vez que se pode rastrear. Nesses pontos de entrega a água é outra vez analisada e depois entra nesses pontos em baixa e é gerida pelas empresas, municípios, etc. Há então que perceber, que essa água de qualidade, que foi entregue, vai fazer um circuito por um conjunto de canalizações, que são da responsabilidade de outras entidades.

É seguro e deve-se beber água da torneira?

Só deve fazer-se isso. Aliás, eu não bebo mais nenhuma água que não seja a da torneira. Mesmo em restaurantes bebo água da torneira. Se formos ver a água engarrafada, a nível monetário não compensa. Eu até posso pagar por beber água da torneira num restaurante mas eu quero pagar por um produto de qualidade. Não quero pagar por uma água que já foi engarrafada há semanas e que já passou por calor e exposição ao sol. Não digo que não seja um negócio, mas o meu é certificado e é bom. A questão aqui é que essas empresas querem vender o máximo possível, o que é legítimo, mas o nosso negócio não é esse. Nós não dizemos às pessoas para beberem água da torneira para aumentarmos o número de vendas, a nossa preocupação é que o consumo seja responsável. A água é um bem escasso e deve ser utilizada com inteligência e de uma forma racional.

Podemos dizer que a Águas do Algarve foi um dos maiores projectos de desenvolvimento estruturante da região.

Sim. É um dos grandes projectos regionais. Contribui muito para aquilo que é a imagem do país lá fora. Isto, porque grande parte da população, em algumas alturas do ano, provém do exterior e aquilo que ela leva é a imagem daquilo que usufrui. E a imagem da água é aqui muito importante. A maior parte dos países de origem dessas pessoas não recomendam o consumo de água da torneira.

Qual a prioridade das Águas do Algarve?

A prioridade são as pessoas. Temos de lhes dar um produto de qualidade. Em primeiro lugar devemos fornecer com qualidade e em segundo chamar a atenção para a utilização moderada do produto de qualidade. Tentamos, neste sentido, fazer campanhas de sensibilização para o uso inteligente da água.

Qual é então o papel do Ambiente para a Águas do Algarve?

É fundamental. Porque, por um lado, temos de garantir que as situações de abastecimento sejam feitas da melhor forma possível. E, por outro lado, tomar em consideração a questão das rejeições, que normalmente são essas as poluidoras. Preocupa-nos muito, por exemplo, que ainda existam ligações clandestinas a linhas de água e que aconteçam coisas como existirem praias interditas. Nada teve a ver connosco, mas ficamos preocupados. O Ambiente é fundamental para que tudo isto esteja em harmonia.

Vão até começar a reutilizar a água, certo?

Sim. O que nós vamos fazer é utilizar a capacidade de transformação da água. Esta, uma vez utilizada, pode ser reutilizada para fins variados, desde que tenha os tratamentos adequados. Tratamentos que precisam de energia e neste caso até podemos utilizar energia renovável para o fazer. Isto, porque, em duas das nossas ETAs temos parques fotovoltaicos que fornecem energia ao tratamento das águas. Temos também, já estabelecidos, contactos com diversas entidades, como campos de golfe, para que possam utilizar a nossa água para a rega. Outra forma é o carregamento de aquíferos, para que através de filtração regresse ao aquífero e volte a poder ser utilizada.

Um trabalho em que, por exemplo, as ETARs são fundamentais.

Sim. E no Algarve estão agora a surgir mais. Por exemplo, em Março surgiu a da Companheira, que fez uma diferença extraordinária. Em construção está a de Montes do Rio e a de Faro/Olhão. Essa última é especial, utiliza uma tecnologia única no país, que requer menos energia.

Para além dessas preocupações ambientais, a Águas do Algarve vai começar agora uma nova campanha para a redução do plástico?

Sim, as pessoas vão-se apercebendo da dualidade que é o baixo custo das embalagens de plástico, a facilidade com que se adquirem e o rasto que deixam. Em termos ambientais, aquilo que ao princípio parecia que não iria ter problema nenhum, hoje estamos a ver que há uma invasão desse produto por todo o lado. Grande parte dele invade o nosso espaço e o espaço dos outros seres vivos, nossos parceiros neste planeta. Por exemplo, as espécies marinhas ao ingerirem essas partículas de micro-plásticos podem-nos fazer ingerir essas mesmas partículas. Entramos num ciclo. Queremos, deste modo, ter uma contribuição pequena, mas bastante inteligente, sobre a necessidade de se evitar o consumo de plásticos.

E a educação ambiental é também importante para a Águas do Algarve.

É muito importante. Fizemos este ano, nos dias 1 e 2 de Março, uma actividade única no país. Lançámos o tema “Desafios da água” num congresso, em que se criaram inúmeros ateliers por onde passaram cerca de mil e seiscentas crianças das escolas. Lá puderam experienciar os trabalhos com a água e descobrir o que lhe acontece. Actualmente, continuamos a ter condições para fazer visitas a estabelecimentos escolares, no sentido de promover esta educação ambiental. Para além disso temos outras actividades de sensibilização com as crianças, para que elas aprendam que a água é um bem esgotável.

Para além das crianças, como é feita a vossa relação com a população?

É feita de variados modos. Por exemplo, já fizemos campanhas em praias com a oferta de água da torneira às pessoas. E já fizemos uma campanha num estabelecimento prisional de Olhão, em que fomos explicar aos reclusos a importância de beber água da torneira. Estamos envolvidos com várias entidades regionais também nesse sentido. Destacamos datas importantes como seja o Dia da Água ou do Ambiente, entre outras. Também as redes sociais são uma fonte poderosa de comunicação em que nós apostamos, com mensagens e passatempos.

A Águas do Algarve chegou a receber diversos prémios.

Temos tido reconhecimento nacional e internacional do trabalho que temos feito. Recentemente, recebemos um prémio em Bruxelas, em que o nosso projecto foi qualificado entre os dez mais interessantes da Europa

Quais as aspirações para o futuro?

São colectivas. Em primeiro lugar queríamos colocar num único ponto o controlo analítico de toda a região. Tenho a aspiração de ter um laboratório regional único. Tenho o sonho, ainda, de que 30% da água rejeitada consiga ser aproveitada. Este é um trabalho que não se esgota. Eu ser presidente desta empresa não é uma profissão, é uma missão, que dura um determinado tempo. O importante é criar bases para a empresa continuar a fazer um trabalho bem feito a servir a população, a servir o ambiente, e a estar disponível para participar na educação de toda agente.

Dez razões para se beber e utilizar a água da torneira no Algarve:

1 – Faz bem à saúde;

2 – É económica;

3 – Contribui para as questões ambientais;

4 – Torna os cozinhados mais apetitosos;

5 – É extraordinariamente importante para a higiene;

6 – É um produto certificado e de qualidade;

7 – Está sempre ao dispor;

8 – É uma felicidade comparado com outros povos que não a possuem;

9 – É um reflexo de inteligência;

10 – Faz-me feliz por ter a oportunidade de participar neste projecto.

(Maria Simiris / Henrique Dias Freire)

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