Leitura da semana: Pátria, de Fernando Aramburu

Leitura da semana: Pátria, de Fernando Aramburu

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A rubrica Leitura da Semana é publicada semanalmente à terça-feira; Paulo Serra é doutorado em Literatura na Universidade do Algarve e investigador do CLEPUL
A rubrica Leitura da Semana é publicada semanalmente à terça-feira;
Paulo Serra é doutorado em Literatura na Universidade do Algarve e investigador do CLEPUL

Nesta magnífica obra, publicada pela Dom Quixote, narram-se em 716 páginas um «retábulo definitivo sobre mais de 30 anos da vida no País Basco sob o terrorismo», centrando-se na história de duas famílias cujos laços pareciam inquebrantáveis até serem divididas por um crime político.

A intriga é desfiada numa desordem cronológica, o que revela mestria narrativa e torna a obra muito mais interessante de ler. A narrativa, constituída por capítulos breves, é narrada numa perspectiva descentrada pois alterna entre as várias personagens, o que permite uma focalização imparcial, em que as questões e situações retratadas são apresentadas e representadas a partir da óptica de cada um. O narrador tenta ao máximo subsumir-se por trás das vozes das personagens, ao ponto de a narração na terceira pessoa passar, frequentemente, para a primeira pessoa: «Agradeceu em tom neutro. Obrigado, porquê? Por nada. Era uma forma de fingir que mantinha o controlo.  E desligou. As minhas costas e atrás delas a minha mãe, e o difícil momento de nos voltarmos. Evitou olhar para ela de frente para que não pudesse ler nos seus olhos.» (p. 422)

O escritor Fernando Aramburu, autor do livro ‘Pátria’ (Foto: EPA/Juan Carlos Hidalgo)

Além disso, surgem ainda erros gramaticais especialmente nas formas verbais, mal conjugadas pelas personagens, numa aproximação ao seu “falar”, o que por vezes também transparece na voz narratorial.

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