Queria ser uma girafa e andar com a cabeça nas nuvens

Queria ser uma girafa e andar com a cabeça nas nuvens

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Susana Santos, Professora
Susana Santos, professora

Se avaliarmos atentamente a teoria da evolução por seleção natural de Charles Darwin podemos afirmar que a girafa foi o animal que mais eficientemente se adaptou aos tempos modernos, houvesse forma mais astuta de lidar com toda a desgraça que nos rodeia que não fosse a de manter o cérebro bem longe do ser humano e o mais perto possível da estratosfera.

Quando o assunto diz respeito a animais irracionais, sejam eles de companhia, animais de quinta ou selvagens é só dar largas à nossa imaginação mais pérfida e mesmo assim ficamos muito aquém das terríveis maldades infligidas diariamente a animais.

Segundo John Poulsen, professor assistente de ecologia tropical, da Universidade Duke, de Durham, Estados Unidos (Carolina do Norte): “a pesquisa sugere que mais de 25.000 elefantes do Parque Nacional Minkébé podem ter sido mortos por causa do marfim entre 2004 e 2014″.

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Há dias a humanidade acordou com a triste notícia da morte do  último espécime vivo de rinoceronte-branco-do-norte do sexo masculino do mundo; a caça na República Democrática do Congo dizimou 70% das populações de gorilas orientais nas últimas duas décadas deixando o maior primata do mundo à beira extinção (IUCN); o comércio global de exportação de animais vivos condena dezenas de milhares de animais a serem transportados em navios, condicionados a espaços ínfimos, sujeitos a sentir fome, sede, stresse, medo, imersos nos seus próprios dejectos e urina e que quando vítimas da agitação marítima, são atirados contra as grades, caindo, sendo espezinhados pelos companheiros de martírio padecendo, muitas vezes, de lesões tão graves que têm de ser sacrificados no próprio navio.

A caça às focas é uma prática realizada em vários países como Canadá, Gronelândia, Noruega, entre outros, onde todos os anos quase 300 mil exemplares da espécie são mortos com o fim de obter a pele, traduzindo-se num ato cruel e bárbaro já que o método mais comum de matar consiste em esmagar o crânio com uma espécie de martelo com foice, apesar de vários ambientalistas afirmarem que, muitos bebés com menos de 4 semanas também são esfolados vivos, adivinhando-se a agonia dos mesmos.

Nas Ilhas Féroe, território localizado no Atlântico Norte entre a Escócia e a Islândia ocorre, anualmente, um dos espetáculos mais deprimentes do mundo em matéria de matança de cetáceos, sendo esta executada com as próprias mãos e com facas de cozinha; e, de acordo com os últimos números apresentados pela GNR, só em Portugal, no ano de 2017 ocorreram mais de 920 crimes a animais (588 por maus tratos e 336 por abandono) realçando a preocupante inflação das ocorrências registadas.

Dito isto, permaneceríamos infinitamente nesta narrativa deplorável de como o animal “dito” inteligente consegue condenar a sobrevivência da sua própria espécie ao devastar a biodiversidade e perturbar o normal funcionamento dos ecossistemas manifestando, tantas vezes, contornos maquiavélicos e doentios. Não será, portanto, de admirar encontrarmos uma vontade incontrolável de algumas espécies em enfiar a cabeça na areia como a avestruz, esconder as suas pérolas da ganância humana encerrando-as em conchas calcárias como as ostras ou fingir-se de morto como o escaravelho do deserto. Ainda assim, nenhuma supera a nossa amiga girafa que simplesmente prefere “desligar-se” da realidade e viver com a cabeça nas nuvens, sorvendo toda a energia positiva nelas contida, sonhando com um mundo melhor, ou até quem sabe, completamente diferente deste em que nos encontramos! E alguém a pode condenar?!

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