Henrique Dias Freire: E tudo o fogo levou…

Henrique Dias Freire: E tudo o fogo levou…

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A OPINIÃO de HENRIQUE DIAS FREIRE Jornalista e director do jornal Postal do Algarve diasfreire@gmail.com (Foto: D.R.)
A OPINIÃO de HENRIQUE DIAS FREIRE
Jornalista e director do jornal Postal do Algarve
diasfreire@gmail.com (Foto: D.R.)

É praticamente meia-noite de quarta-feira e a presente edição do POSTAL está à beira de entrar na gráfica para impressão. Correndo o risco de poder errar, estamos infelizmente convictos de que quando esta edição chegar à mão dos nossos leitores, o infernal e trágico fogo que se iniciou em Monchique ainda estará por dominar.

Ao longo da última semana acompanhámos uma das histórias mais negras que vai marcar o ano de 2018. O ano em que…“E Tudo o Fogo Levou”! Felizmente, até à data do fecho desta edição não houve vítimas mortais, mas morreram dezenas de animais. Infelizmente, já são mais de duas dezenas de bombeiros feridos.

Infelizmente, muitos deles ficarão entregues a si próprios. Sem os verdadeiros e merecidos apoios pós incêndio. Resumir o esforço heróico dos bombeiros com cerimónias de reconhecimento público com algumas medalhas à mistura é pouco… é mesmo quase nada. Os portugueses e o País têm que parar para pensar se é apenas essa a retribuição que é devida aos bombeiros…Faltam meios e condições de trabalho. Falta o reconhecimento de quem oferece a sua própria vida em prol dos outros. Faltam salários e carreiras dignas. Falta dar um futuro condigno a quem está sempre presente nos momentos de tragédia.

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Bombeiros em risco de vida permanente. Carros, infra-estruturas de apoio agrícolas e casas atingidos pelo fogo. Vidas desfeitas. A tragédia já não é o inferno da força do fogo ardente que persiste. A tragédia é a incapacidade dramática das forças públicas perante a tragédia anunciada.

Do Poder Central fica, mais uma vez, a desilusão. Mas hoje, fica a reflexão sobre a responsabilidade ou não do Poder Local deixar as suas gentes reviverem um inferno anunciado. Entre festas e festinhas, há muito mais a fazer pelas populações. Que 2018 seja o último ano em Monchique da tragédia anunciada. Se o Poder Central não sabe responder, espera-se do Poder Local uma resposta mais musculada. Assistir à repetição da tragédia é injusto e irresponsável.

É mais um inferno de sofrimento para as populações e para o nosso exemplar Exército da Paz.

Não se esqueçam da população de Monchique e das suas gentes. Mas, sobretudo, não se esqueçam dos nossos gloriosos Homens da Paz.

A todos, o nosso profundo sentimento de solidariedade!

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