Casal japonês celebra a lua-de-mel na Concentração Motard de Faro

Casal japonês celebra a lua-de-mel na Concentração Motard de Faro

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Para José Amaro, o desfile de 2018 foi um dos melhores: “foi uma homenagem que nos fizeram. Ficará gravado para sempre na minha memória” (Fotos: D.R.)

José Amaro, presidente do Moto Clube de Faro, contou ao POSTAL a história que mais o marcou na 37ª edição da Concentração Motard. Um japonês, que em 2017 se encontrava a dar a volta ao mundo de moto, em Dezembro esteve alojado na sede do Moto Clube da capital algarvia. Após a estadia, prometeu regressar para a Concentração, desta vez em lua-de- -mel, com a sua futura esposa. E assim foi, voltou ao Japão, casou, e em Julho retornou a Faro. Para além disso, o casal todas as manhãs fazia questão de se dirigir à sede do Moto Clube para a limpar. À noite, e já no recinto, recolhia o lixo e limpava as mesas.

Orgulhoso, José Amaro confessa ao POSTAL: “uma pessoa que está em lua-de-mel e vem fazer isto, a nível de educação diz muito. Para nós ficará para sempre gravado e para ele também. Foi mais um a regressar ao seu país e a levar o nome de Faro e do Algarve além-fronteiras. Ele podia ter escolhido qualquer outro sítio no mundo, mas escolheu-nos a nós, logo é de enaltecer”.

Há 37 anos nasceu a primeira Concentração de Motos de Faro. José Amaro relembra ao POSTAL que estiveram presentes cerca de 200 motociclistas. Não existiam telefones e as casas-de- -banho eram estilo latrina. Trinta e sete anos depois, a Concentração de Faro é já uma das maiores da Europa. A edição deste ano contou com cerca de 18 mil inscrições, totalizando umas 25 mil pessoas no recinto.

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Foram 15 concertos, 1.100 voluntários, 80 mil litros de cerveja vendidos e mais de 110 mil de água. Um investimento que rondou os 400 mil euros.

“Se for viável e possível ajudaremos Monchique e os Bombeiros”

Apesar de todos as notícias que faziam prever um possível desacato por parte de um grupo de motociclistas em específico, nada sucedeu. José Amaro é da opinião que “correu bem e dentro das perspectivas que tínhamos foi boa. As pessoas tiveram uma atitude impecável e só podemos tirar uma conclusão positiva do evento”. A mesma fonte contou ainda ao POSTAL: “Nunca tive medo que a concentração corresse mal, mas tive apreensão. Há que jogar um bocadinho à defesa em tudo e esse é o meu lema. Se pensarmos assim as coisas têm a probabilidade de correrem melhor”.

Dentro do recinto não existiram desacatos nem acidentes, contudo, o presidente conta que em Faro, Quarteira e Albufeira existiram furtos, tanto de motas como de algumas peças. Quanto a isso, José Amaro é claro: “era um grupo organizado que veio cá propositadamente para isso, mas não estavam dentro do recinto. É um caso que é da responsabilidade das autoridades.”

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“Para se ser motociclista, não basta ter uma mota”, refere José Amaro

Ainda no rescaldo da Concentração, José Amaro afirma que as contas ainda não estão fechadas, por isso ainda não é possível prever com exactidão as receitas geradas pelo evento. À semelhança de outros anos, em que o Moto Clube doou parte das receitas à Cruz Vermelha ou a Associações, José Amaro explica que: “se for viável, daremos apoio à zona de Monchique ou aos Bombeiros. Contudo ainda não concluímos as contas, por isso ainda não sabemos com o que podemos contar”. Já em relação ao desfile, o presidente diz-se mais uma vez orgulhoso. “Foi um dos maiores e melhores que já tivemos” porque “a cidade saiu toda à rua para nos saudar. Fizeram questão de nos acompanhar e de estarem presentes e essa é a melhor homenagem que podíamos ter tido”, confessa. “Nunca sairá da minha memória, revela ainda José Amaro.

“Há coisas que temos de nos adaptar”

Quanto ao futuro da Concentração, o presidente do Moto Clube de Faro é prático: “vamos ver o que é que correu bem e o que correu mal. É uma coisa que fazemos todos os anos, juntamo-nos e analisamos tudo”. Isto para “ver se há hipótese de se realizar, porque eu e a direcção somos sempre 50/50 e consultamos sempre bem as coisas. Se não se reunirem condições, com muita pena nossa, não se realiza”.

Esta atitude por parte da direcção é justificada por José Amaro: “não podemos pôr em causa todo o trabalho que foi feito em 37 anos, nem permitir que alguém de fora o faça”. Há mudanças a serem feitas, nomeadamente nas condições sanitárias, uma vez que em pleno mês de Julho, casas-de-banho químicas parecem não ser a melhor opção. Porém, a essência tem de permanecer a mesma, como explica José Amaro: “há coisas que temos de nos adaptar, mas há outras que nunca podemos abdicar, que são a divulgação da amizade e o respeito pelo motociclismo. Tudo o resto vem por acréscimo”.

Por fim, o POSTAL questionou a José Amaro o que era preciso para se ser um motociclista. Segundo este, “não baste ter uma moto. É preciso ter o tal espírito de amizade e de se reconhecer que se gosta da liberdade. Isso é essencial e no motociclismo essa liberdade é totalmente diferente. É o criar amizades em todo o lado, independentemente da opção motociclística de cada um. Essa é a essência do Moto Clube de Faro e todos aqui são bem-vindos, desde que venham por bem”.

(Maria Simiris / Henrique Dias Freire)

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