O céu de Agosto de 2018

O céu de Agosto de 2018

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Figura 1 - Foto resultante da composição de 1266 fotogramas de Marte
Foto resultante da composição de 1266 fotogramas de Marte, obtidas através de um telescópio amador (Foto: João Porto)

Com Marte acabadinho de sair do perigeu (ponto de maior aproximação da Terra) do dia 31 de julho, Terra e Marte começam agora a afastar-se um do outro no Sistema Solar. De qualquer maneira, o planeta vermelho vai continuar bastante brilhante durante o mês de agosto, com a sua magnitude a variar de -2,76 no dia 1, para -2,11 no dia 31 (quanto menor a magnitude, maior o brilho).

Assim, Marte continua assim a ser mais brilhante do que Júpiter, destronando-o como terceiro objeto mais brilhante do céu à noite. Por isso, quem tiver acesso a um telescópio não deve perder a oportunidade de espreitar este planeta, já que a próxima vez que Marte vai estar tão perto da Terra será em 2035!

Mas Marte não é o único planeta visível a olho nu. Durante este mês, ao anoitecer, são 4 os planetas visíveis. Mas já lá chegamos.

Quanto ao resto do céu, no dia 4 a Lua entra em quarto minguante e dia 11 está em fase de lua nova. Nesse mesmo dia há um eclipse parcial do Sol, que na Europa é só visível nos países nórdicos, e com o máximo do eclipse a ocorrer no Circulo Polar Ártico.

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O céu virado a Nordeste, por volta das 23:45 do dia 12 de agosto de 2018 (Foto: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)
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Dia 12 ocorre o pico da “chuva” de meteoros das Perseidas. Este pico está previsto ocorrer entre as 20:00 do dia 12 e as 08:00 do dia 13. Com a Lua praticamente nova, e um número de meteoros por hora a rondar os 130 (em céus escuros), este promete ser um ano propício para ficar “de papo para o ar” a ver meteoros passar.

A constelação onde se situa o radiante (ponto de onde parecem emanar os meteoros) e que dá o nome às Perseidas, é a constelação de Perseu, um semideus filho de Zeus e de Dánae. Perseu foi responsável por salvar a princesa Andrómeda do monstro marinho Cetus (a baleia). Entre outras façanhas, Perseu cortou a cabeça da górgona Medusa.

Dia 13 a Lua junta-se ao lote de objetos do Sistema Solar visíveis ao anoitecer, e no dia seguinte passa a 5 graus de Vénus. No dia 17 o nosso satélite passa também a 5 graus, mas de Júpiter, e no dia seguinte entra em quarto crescente.

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Panorâmica do céu ao anoitecer do dia 14 de agosto de 2018 (Foto: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium)

No dia 21 a Lua passa a 5 graus de Saturno, na constelação do Sagitário, e dia 23 passa a 6 graus de Marte.

A lua cheia ocorre no dia 26, e nesse mesmo dia Mercúrio estará na máxima elongação (ponto mais afastado do Sol, no céu). Mesmo assim será difícil ver este planeta, estando visível apenas cerca de uma hora, mesmo antes do amanhecer.

Boas observações.

Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)

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