Leitura da semana: Chamavam-lhe Grace, de Margaret Atwood

Leitura da semana: Chamavam-lhe Grace, de Margaret Atwood

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A rubrica Leitura da Semana é publicada semanalmente à terça-feira;
Paulo Serra é doutorado em Literatura na Universidade do Algarve e investigador do CLEPUL

Esta obra, publicada em 1986 com o título original de Alias Grace, já estreou numa mini-série de grande qualidade televisiva no dia 26 de Setembro do ano passado, composta por seis episódios disponíveis na Netflix. A autora canadiana Margaret Atwood tem feito furor mais recentemente, além de ter já consolidada uma vasta obra de ficção, nomeadamente com o sucesso de A História de uma Serva, que deu origem ao sucesso televisivo da série The Handmaid’s Tale, do canal Hulu.

Chamavam-lhe Grace constitui um recuo ao passado, pois trata-se de um romance histórico baseado em factos verídicos, mais exactamente no polémico caso de Grace Marks, uma das mais famosas canadianas da década de 1840, condenada por homicídio aos dezasseis anos de idade.

Margaret Atwood, autora do romance “Chamavam-lhe Grace” (Fotos: D.R.)

O livro tem uma escrita apaixonante, e um enredo intrigante, em que como o próprio título indica, nos mantém constantemente na dúvida não só sobre a verdadeira identidade da personagem, bem como acerca da inocência ou culpa de Grace. É também e, antes de mais, um romance histórico que apresenta o Canadá nos seus primórdios e um romance feminista, até porque Grace representa «a ambiguidade contemporânea acerca da natureza das mulheres: seria Grace um demónio feminino e uma tentadora, a instigadora do crime e a verdadeira assassina de Nancy Montgomery, ou seria uma vítima involuntária, forçada a manter o silêncio pelas ameaças de McDermott e por recear pela sua própria vida?».

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Existem diversas citações de obras da época que reflectem o mediatismo do caso de Grace mas como a própria autora explica: «Quando tinha dúvidas, tentei optar pelo que me parecia mais provável, embora introduzindo todas as probabilidades sempre que possível. Quando havia meras sugestões e nítidas lacunas nos registos, senti-me à vontade para inventar.». Não falta, no entanto, uma certa nota de fantasia, condizente à época que acolheu entusiasticamente o espiritismo e o mesmerismo.

Capa do livro de Margaret Atwood

O livro foi finalmente publicado em Portugal pela Bertrand, pois a edição anterior estava há muito esgotada e a obra carecia de nova tradução.

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