Leitura da semana: O banco do tempo que passa, de Hubert Reeves

Leitura da semana: O banco do tempo que passa, de Hubert Reeves

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A rubrica Leitura da Semana é publicada semanalmente à terça-feira;
Paulo Serra é doutorado em Literatura na Universidade do Algarve e investigador do CLEPUL

Hubert Reeves, astrofísico, ensinou cosmologia, e é um reconhecido divulgador da ciência, sendo a sua obra publicada em Portugal pela Gradiva. O seu mais recente livro é O banco do tempo que passa e pode muito bem ser a melhor forma de ficarmos a conhecer o autor e despertar a curiosidade pela sua obra. Como aliás indica Carlos Fiolhais num texto citado na badana do livro: «Este é o livro dos livros de Reeves: uma súmula dos seus conhecimentos e dos seus pensamentos sobre o Universo e sobre nós próprios.»

«Próximo da lagoa de Malicorne, em frente do grande salgueiro-chorão que se vê reflectido na água calma, instalámos um banco. Chamámos-lhe «o banco do tempo que passa». Sento-me nele com frequência para tentar apanhar o fiozinho do tempo que nos conduz ao longo de toda a nossa existência.» (pág. 13)

O astrofísico Hubert Reeves é um reconhecido divulgador da ciência (Fotos: D.R.)

Este livro tem origem nos momentos de reflexão que o ilustre astrofísico experienciou frente a essa lagoa e é uma sequência de meditações mais ou menos dispersa mais ou menos organizada por temas caros ao autor, que o próprio leitor pode ir lendo sem linearidade ou compulsividade, tomando este livro como um guia ou um diário, impulsionando-o às suas próprias reflexões e divagações. Estas notas, umas vezes estendendo-se por duas ou três páginas, outras limitando-se a uma frase ou a uma citação, são essencialmente pessoais, por vezes cruzadas com memórias do próprio cientista, onde este não só recupera ideias já abordadas nas suas outras obras como apresenta, em alguns momentos, breves sínteses. E apesar da sua formação empírica, o autor não descura um espaço para a religiosidade: «Entre os dogmas religiosos e as certezas ateias há espaço para as espiritualidades inquisitivas.» (pág. 92)

A capa do livro de Hubert Reeves

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