Urbanismo e Capital Europeia da Cultura

Urbanismo e Capital Europeia da Cultura

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A OPINIÃO de TERESA CORREIA;
Arquitecta / Urbanista;
arq.teresa.correia@gmail.com

A Cultura como forma de promoção das suas cidades

Muito se tem falado de Cultura, no desenvolvimento das nossas cidades, e, claro, a propósito da candidatura de Faro à Capital Europeia da Cultura 2027, evidencia-se uma necessidade imperiosa de refletir.

As cidades são expressão de cultura, tanto pela sua arquitetura, património construído, como pelo seu tecido em termos urbanísticos. Por outro lado, são também palco de grandes eventos, com uma promoção relativamente mediática das suas elites, assim como uma regeneração socioeconómica alavancada pelos eventos em causa. Percebe-se que a Cultura tem vindo a ser sub-financiada, tantas vezes, exemplo disso é uma certa depressão das direções regionais, como pelos poucos investimentos na preservação de monumentos nacionais, entre outros.

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Para acontecer a Capital Europeia da Cultura, é inevitável um investimento local significativo e pesado a propósito dessa consagração, sendo também uma oportunidade para a regeneração urbana e para a construção de alguns edifícios emblemáticos. No Porto tivemos a Casa da Música e em Guimarães tivemos uma regeneração urbana notável, assim como a criação da Plataforma das Artes e da Criatividade.

As regras europeias são exigentes e pormenorizadas. A escolha deverá ”obedecer a um contributo para a estratégia a longo prazo, a dimensão europeia do projeto, o conteúdo cultural e artístico, a capacidade de realização, o impacto e a gestão”. Está, pois, instalada a corrida por parte de várias cidades de Portugal, tais como Aveiro, Coimbra, Évora, entre outras.

A renovação urbanística que se impõe

As estruturas edificadas de suporte a um evento desta dimensão, assim como à escala europeia, obriga a um planeamento de longo prazo, tanto urbanístico como cultural, assim como uma visão estratégica no seu contexto regional. Faro tem potencial e um urbanismo que, ainda assim, tem dignidade e valor, mas será realista confirmar se temos capacidade de realização para tal dimensão de projeto.

Faro quer vir a ser Capital Europeia da Cultura em 2017 (Foto: D.R.)

Cada largo e cada praça deverá ser renovada, o seu património valorizado, para que possamos ser uma cidade que recebe com dignidade os grandes da Cultura Europeia. Os eventos terão de ser cúmplices da cidade e integrarem-se no próprio tecido da mesma.

A frente ribeirinha é essencial para a nova imagem da cidade, mas a cidade, toda ela, terá de ser equipada e integrada nessa operação.

A renovação urbanística irá aqui ter significado especial e essa deverá ser trabalhada em conjunto com os pequenos proprietários de cada casa e de cada beco e travessa. Será preciso uma luz de inspiração nessa herculeana tarefa, e uma força persistente de regulação constante.

(Artigo publicado no Caderno Cultura.Sul de Novembro)

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