Rede de Museus do Algarve celebrou dez anos

Rede de Museus do Algarve celebrou dez anos

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A OPINIÃO de EMANUEL SANCHO;
Museólogo e sócio da AGECAL

A Rede de Museus do Algarve comemorou recentemente os seus dez anos de existência. Tudo começou em 2007 quando alguns museus da Região se encontraram para refletir e pensar o Algarve na sua dimensão real, coletiva, composta por 16 concelhos – realidades distintas – mas partes indissociáveis de uma unidade geográfica e culturalmente bem definida.

Apontado como uma fragilidade, quase um mal endémico, o individualismo que quase assumimos como natural, passou a ter uma alternativa que na prática foi dada pelo exemplo dos museus: uma visão de Região madura, articulada nas suas partes, preocupada com o bem comum, mais do que com os protagonismos individuais.

Hoje, dez anos depois, a Rede de Museus do Algarve integra todos os concelhos da Região – quer como membros efetivos, quer como observadores – ultrapassando as duas dezenas de estruturas museológicas de distintas áreas, diferentes tutelas, variadas visões e modelos organizativos. São 15 museus, dois centros de ciência, um parque natural e um centro explicativo que, na sua globalidade, representam bem a diversidade regional mas também o espírito flexível e integrador que sempre caracterizou a Rede de Museus do Algarve.

A Rede integra também a APOM, Associação Portuguesa de Museologia, que mantém um representante como observador junto dos Museus do Algarve.

Um Grupo Coordenador formado por cinco membros, representantes de outras tantas estruturas museológicas, eleito a cada dois anos, organiza, estimula, representa e coordena as ações da Rede. A outro nível, quatro grupos de trabalho de campos especializados – património imaterial, conservação e restauro, arqueologia e educação – desenvolvem trabalho de forma autónoma dentro das suas áreas próprias.

A cooperação em rede, traduzida na rentabilização de recursos, a partilha de conhecimentos, os diagnósticos de abrangência regional e a relação direta e colaborativa são já uma prática corrente entre os Museus do Algarve.

Anualmente, a Rede organiza as Jornadas RMA, onde os seus membros mostram a realidade da museologia do Algarve. Experiências exemplares provenientes de outras paragens têm sempre lugar nestes momentos.

São vários os projetos conjuntos que deverão surgir nos próximos tempos. A publicação do Guia dos Museus do Algarve, sob a forma de e-book, está sendo ultimada. A versão impressa poderá igualmente vir a ser uma realidade em breve. Uma iniciativa que tomará como eixo estruturante as múltiplas visões do Mar deverá surgir em 2019/20 sob a forma de um conjunto de exposições/ visões ou, visto de outra perspetiva, uma grande exposição/tema repartida pelos vários espaços museológicos do Algarve.

Pouco a pouco, com o esforço dos profissionais dos Museus do Algarve, ultrapassada uma década de existência, a RMA é hoje uma referência nacional pela persistência, pelo modelo informal que adotou e pelos projetos que foram capazes de unir os seus membros ao longo de uma década.

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