Sun Concept aposta em embarcações eletro-solares

Sun Concept aposta em embarcações eletro-solares

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João Bastos, diretor-geral da Sun Concept (Foto: Ana Pinto / Postal)

Em primeiro lugar é importante referir que nós vamos ter sempre um impacto no ecossistema que nos rodeia. É impossível não o termos. Isto é uma coisa que vai acontecer e acabou. Para conseguirmos interagir de uma forma menos intrusiva tínhamos de reduzir a população mundial a um quarto, um quinto, um sexto, não sei, e isso não vai acontecer, aliás, a população tem tendência para aumentar. O que nós temos de fazer é conseguir minimizar o impacto, mitigá-lo, isto nos combustíveis fósseis, na água, em tudo e mais alguma coisa.

Partindo desse pressuposto, a Sun Concept começou, há quatro anos, através exatamente da consciência ambiental de um grupo de pequenos investidores a pensar nestas questões.

Achámos que devíamos de alguma forma devolver a Olhão a capacidade de construção naval que havia sido perdida em tempos. Olhão tinha muita capacidade de construção naval e muito do know-how acabou por se ir perdendo, mas uma parte ainda existia de alguma forma um pouco recatada.

Por outro lado, não fazia sentido fazer barcos iguais a todos os outros que existem em Portugal e no mundo e entrar no mercado global. Considerámos, portanto, que tínhamos de diferenciar de alguma forma. E foi exatamente aí que entrou a nossa visão de sustentabilidade, criando embarcações que tenham um impacto inferior no ecossistema onde operam. E assim se criou o conceito das embarcações eletro-solares, que eu acho que é um conceito nosso. Embora existam outras embarcações e muitas experiências a nível mundial de embarcações elétricas movidas através de painéis fotovoltaicos, o nome eletro-solar acho que é nosso.

Dado isto, criámos um primeiro modelo que foi um modelo interessante e que serviu para prova de conceito. Temos 18 embarcações construídas e todas elas navegam perfeitamente, sem problemas de maior. Nós começámos a desenvolver este trabalho há quatro anos e há três anos fizemos a primeira. Estamos a falar destes números desenvolvidos em aproximadamente dois anos, porque no último ano estivemos outra vez voltados um pouco para dentro, a desenvolver um novo modelo por necessidade do mercado.

As embarcações funcionam, são boas, há coisas a corrigir e melhoramentos a fazer. Se acertássemos à primeira num barco perfeito seria um acontecimento único. Nós de barco para barco vamos sempre tentando alterar alguma coisa, para que os barcos seguintes estejam sempre um pouco melhores do que os anteriores. Mas o conceito era esse: conseguir fazer barcos em que o primeiro modelo era muito indicado para águas abrigadas, e tendo a Ria Formosa como pano de fundo, há duas ou três coisas que são muito importantes. Para dar um exemplo concreto podemos falar do ruído. É muito importante o impacto que o ruído tem nas áreas sensíveis, na reprodução das espécies.  Hoje em dia existem vários estudos sobre os cavalos-marinhos e é importante referir o impacto que o ruído tem na reprodução destes animais.

É durante o verão, quando existe maior quantidade de barcos, que estas espécies se reproduzem. Obviamente, que não é por isso que os cavalos-marinhos estão a desaparecer da Ria Formosa, mas contribui muito para que eles não consigam recuperar. É tudo cumulativo obviamente.

Nós à nossa pequena escala tentámos dar o nosso contributo e de alguma forma estamos a conseguir. Neste momento temos cinco barcos a navegar na Ria Formosa e vamos ter sete em breve. Deviam ser 500, mas havemos de lá chegar.

(CM)

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