DECO: “Os champôs reparadores são mesmo eficientes?”

DECO: “Os champôs reparadores são mesmo eficientes?”

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Uma vez com pontas espigadas, os fios jamais voltam ao normal (Foto: D.R.)

A DECO responde…

Escovagens agressivas, sol, humidade, químicos e metais pesados das piscinas e da água salgada, calor do secador ou dos ferros de alisar e moldar e, sobretudo, os tratamentos químicos, como colorações, descolorações e permanentes, infligem “maus-tratos” ao cabelo e podem deixar marcas irreparáveis.

Uma vez com pontas espigadas, os fios jamais voltam ao normal, porque são formados por células mortas, impossíveis de regenerar – a única solução é cortar a parte estragada. Assim, falta à verdade qualquer champô que se autoproclame reparador, indicado para cabelos danificados, como três dos testados.

Segundo o Regulamento Europeu dos Cosméticos, as alegações, implícitas ou explícitas, usadas na rotulagem e na publicidade não podem atribuir aos produtos características ou funções que estes não possuem e devem ser baseadas “em elementos comprovativos adequados e verificáveis”. Ora, se o cabelo só tem células vivas na raiz, não será muito honesto dar a entender que o uso de um champô permite restaurar danos. Questionámos o Infarmed sobre o assunto, mas a resposta foi pouco esclarecedora: “A avaliação da conformidade é analisada caso a caso”. Neste caso, as denominações “reparador” e “regenerador” deveriam mesmo desaparecer das embalagens dos champôs. Sugerimo-lo ao Infarmed. Esperamos que decida a favor da veracidade da informação ao consumidor.

Poderá, pelo menos, esperar-se que um champô dito reparador deixe o cabelo com melhor aspeto, isto é, mais brilhante, suave, leve e “esvoaçante”, por exemplo, do que um clássico? Provavelmente, não. Num conjunto de 28 champôs “reparadores” testados por nós e por outras sete associações de consumidores europeias, apenas dois se superiorizaram neste aspeto.

No laboratório, a eficácia da lavagem foi medida em madeixas de cabelo claro natural, com sete centímetros de comprimento, intencionalmente sujas. Em condições idênticas e bem controladas, algumas destas madeixas foram lavadas só com água, outras com um produto de referência sintetizado em laboratório, e outras com os champôs testados. Primeira conclusão: ao contrário do que pensam alguns, a lavagem só com água não remove a sujidade. Quanto aos champôs, não há diferenças entre os seis testados.

O segredo dos cabelos bonitos e saudáveis são os cortes frequentes e as escovagens suaves, de preferência, com escovas de plástico ou madeira, com dentes largos. Os cortes evitam que as pontas sequem e espiguem. Com as escovangens suaves, há menor probabilidade de os fios partirem. Recorrer o menos possível ao secador e aos tratamentos químicos, como colorações e descolorações, também ajuda a manter o brilho e a leveza do cabelo.

(CM)

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