OPINIÃO de Macário Correia: Incompetência em cima da ponte

OPINIÃO de Macário Correia: Incompetência em cima da ponte

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José Macário Correia;
Ex-presidente das Câmaras de Tavira e de Faro (Foto arquivo D.R.)

Poderia, como tantos milhares de prejudicados, ficar em silêncio, resignado e apenas com um sentimento de revolta perante a inoperância de entidades supostamente responsáveis.

Isto a propósito de umas eternas obras na Ponte do Almargem, na EN 125 entre Tavira e Conceição.

O prazo contratual já terminou e o transtorno diário para milhares de pessoas continua. A obra decorre claramente com 3 andamentos: devagar, devagarinho e parada. Anda muito devagar a meio da semana, devagarinho nas segundas e sextas-feiras e parada nos restantes dias.

São filas de carros a aguardar a abertura do semáforo, quando dias e dias seguidos ninguém esta a fazer nada na ponte.

Em plena Estrada Nacional 125 isto só é explicável pela irresponsabilidade e incompetência do dono da obra (Infraestruturas de Portuga/Governo) e pela displicência da empresa Conduril, como empreiteira.

Normalmente obras em estradas com a intensidade de trânsito desta dimensão fazem-se em ritmo intenso para não prejudicar a economia das empresas que precisam de circular, do turismo em geral e das pessoas que se deslocam para o trabalho diariamente.

Ter a sede da construtora em Ermesinde, nada tem de especial, se o pessoal da empresa se dedicasse á obra com outro ritmo e outra disponibilidade. O que o dono da obra teria que pagar para reduzir o incómodo da população seria bem menos do que ver milhares de pessoas a perderem tempo, milhares de litros de combustível a arderem na reta do Almargem com filas de viaturas paradas e a paciência e o nervosismo de tanta gente a sofrer. Vamos já em sete meses.

Afinal para que servem os prazos contratuais que são fixados? Onde está a fiscalização e o acompanhamento eficaz dos trabalhos? Porquê tanto silêncio das entidades locais e regionais que são prejudicadas, desde o comércio, o turismo, as autarquias e outros.

Em circunstâncias semelhantes em outros locais, todos já vimos obras a decorrerem em horários prolongados e com dias seguidos sem paragens. Aqui nada acontece que evidencie vontade de acabar com o martírio quotidianos para tanta gente.

Vá lá que a multissecular ponte de pedra da ribeira do Almargem, a montante, nos ajuda a minorar o sofrimento. E esta não tem pêndulos, nem juntas de dilatação, nem metais ou cimentos modernos e lá está firme e competente.

Porque entendo que ficar em silêncio seria uma forma de resignação, passividade e até de cobardia, aqui fica um grito de revolta perante uma evidente incompetência no modo de fazer as coisas.

Que ao menos sirva para alertar para não se fazer assim em casos semelhantes, doravante.

E esperamos que o dono da obra tenha o bom sendo de não fazer qualquer cerimónia de pompa e fanfarronice quando os eternos trabalhos um dia chegarem ao fim. Haja decoro e um pouco de vergonha. Zarpem e deixem-nos circular com normalidade mais sessenta anos até á nova reparação.

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