Universidade vai salvar cavalos-marinhos e combater plástico na Ria Formosa

Universidade vai salvar cavalos-marinhos e combater plástico na Ria Formosa

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Universidade do Algarve está a desenvolver um programa de reprodução de cavalos-marinhos (Foto D.R.)

Durante anos, a população de cavalos-marinhos da Ria Formosa era a maior do mundo, sendo que estudos contabilizaram há 19 anos cerca de dois milhões de cavalos-marinhos no local.

“Em 2018 fizeram-se novos censos, 90 % dos exemplares desapareceram, restam pouco mais de 100 mil”, avança a SIC.

Miguel Correia, investigador há mais de uma década no Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, afirma que “a causa principal que encontramos para o decréscimo dos cavalos marinhos tem a ver, sobretudo, com a degradação do habitat em que a poluição é um fator que pode ter um grande papel nas alterações do mesmo, mas não só. Também há atividades ilegais a acontecerem, como a pesca de arrasto”.

A Associação para o Estudo e Conservação dos Oceanos é promotora de iniciativas de limpeza na Ria (Foto D.R.)

aECO em concurso europeu com “Plastic free”

A Associação para o Estudo e Conservação dos Oceanos, promotora de iniciativas de limpeza na Ria, criou o projeto “Plastic free Ria Formosa [Livre de plástico Ria Formosa]”, no qual pretende realizar uma limpeza subaquática (debaixo de água). O projeto foi selecionado para o Concurso Internacional da Associação Europeia de Conservação de Espaços Exteriores.

“Se ganharmos este projeto vamos conseguir, com a ajuda, contratar mergulhadores profissionais e fazer uma limpeza subaquática da Ria Formosa. Essa limpeza subaquática vai ser em parceria com a Universidade do Algarve e vamo-nos juntar à causa deles de proteção dos cavalos-marinhos, ao mesmo tempo que fazemos uma limpeza profunda da Ria Formosa”, relevou a aECO à SIC.

Portugal, Croácia, Chile, Grécia e Espanha estão na corrida para o prémio, sendo que a Espanha se encontra em primeiro lugar, seguida por Portugal.

O projeto procura preservar as pradarias marinhas que servem de abrigo à espécie. Outro dos objetivos é sensibilizar a comunidade para a ilegalidade de comércio de cavalos marinhos provenientes da Ria Formosa. “Estes animais destinavam-se ao mercado chinês e iriam render aos traficantes, segundo as estimativas das autoridades, cerca de dez mil euros”, adiantou a Nacional Geographic.

UAlg desenvolveu um programa de reprodução de cavalos-marinhos

Desde 2006, a Universidade do Algarve desenvolveu um programa de reprodução de espécie, de modo a proteger e a conhecer os cavalos-marinhos.

“Ao fim de 2 anos, depois de muito batalhar, conseguimos os primeiros resultados de sobrevivência. Hoje em dia, chegamos até aos 70%, em média, de sobrevivência. Isto dá-nos bastante capacidade de produção das duas espécies”, contou Miguel Correia à SIC.

Os cavalos-marinhos, concebidos nos aquários, não podem ser libertados, visto que em menos de duas décadas, 90% da população da zona desapareceu.

Campanha para uma Ria Formosa livre de plástico
Website: http://www.a-eco.org

As votações para o projeto terminaram a 10 de abril, aguardando-se os resultados do seguinte projeto apresentado:

A Ria Formosa é um extenso sistema de lagunas com 18.000 hectares, com planícies de areia, alagadiços e salinas, protegido do mar aberto por um longo e fino cinturão de dunas de areia chamado ilhas-barreira.

As 5 ilhas barreira e 2 penínsulas são separadas por 6 entradas que ligam a lagoa ao mar. Esta é uma área importante para a vida selvagem, particularmente aves, plantas indígenas, cavalos marinhos e peixes.

Como o lixo produzido pelos moradores e o crescente número de turistas é uma séria ameaça, nosso projeto se concentra na conservação da costa, na proteção de animais marinhos e na preservação do meio ambiente para os amantes da natureza, entusiastas de esportes aquáticos e caminhantes.

Os fundos da EOCA irão expandir a limpeza anual para 11 km, adicionando uma limpeza subaquática. O financiamento também permitirá uma campanha de conscientização para resolver o problema em sua origem, visando comportamentos não-sustentáveis, como consumo de plástico e lixo.

Para envolver turistas, residentes, pescadores e estudantes, haverá exposições fotográficas nas principais cidades de Olhão e Faro, instalações de arte feitas com o lixo recolhido, comunicações nas lojas em supermercados e lojas selecionadas, bem como uma campanha digital para alargar a campanha. impacto.

Foto de arquivo D.R.

(Eunice Silva / Cristina Mendonça)

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