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POSTAL do ALGARVE associa-se às comemorações dos 45 anos da “Revolução dos Cravos”

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25 DE ABRIL – “Um povo sem memória não perpetua um país, preenche um espaço sem identidade” – Carlos Esperança (Foto: D.R.)

Nos 45 anos da “Revolução dos Cravos”, o “POSTAL do ALGARVE” associa-se às comemorações e publica todos os dias, durante o mês de Abril, um texto ou poema alusivos ao 25 de Abril.

Uma iniciativa organizada por Rui Cabrita, que decorre em simultâneo no jornal “Terra Ruiva”, do concelho de Silves.

 

 

A Revolução Portuguesa de 25 de Abril

Para os jovens de hoje será talvez difícil imaginar o que era viver neste Portugal de há 45 anos (Foto: Sérgio Magalhães)

Há (45) anos, em vésperas do 25 de Abril, Portugal era um país anacrónico. Último império colonial do mundo ocidental, travava uma guerra em três frentes africanas solidamente apoiadas pelo Terceiro Mundo e fazia face a sucessivas condenações nas Nações Unidas e à incomodidade dos seus tradicionais aliados.

Para os jovens de hoje será talvez difícil imaginar o que era viver neste Portugal de há 45 anos, onde era rara a família que não tinha alguém a combater em África, o serviço militar durava quatro anos, a expressão pública de opiniões contra o regime e contra a guerra era severamente reprimida pelos aparelhos censório e policial, os partidos e movimentos políticos se encontravam proíbidos, as prisões políticas cheias, os líderes oposicionistas exilados, os sindicatos fortemente controlados, a greve interdita, o despedimento facilitado, a vida cultural apertadamente vigiada.

A anestesia a que o povo português esteve sujeito décadas a fio, mau grado os esforços denodados das elites oposicionistas, a par das injustiças sociais agravadas e do persistente atraso económico e cultural, num contexto que contribuía para a identificação entre o regime ditatorial e o próprio modelo de desenvolvimento capitalista, são em grande parte responsáveis pela euforia revolucionária que se viveu a seguir ao 25 de Abril, durante a qual Portugal tentou viver as décadas da história europeia de que se vira privado pelo regime ditatorial.

Antonio Reis

(CM)

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