Animais diferentes com histórias de vida peculiares

Animais diferentes com histórias de vida peculiares [fotogaleria]

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Animais diferentes com histórias de vida peculiares. Este foi o mote para a criação do projeto algarvio “Amigos Imperfeitos”.

“Este projeto tem o objetivo de mostrar a beleza destes animais. Quando os vi pela primeira vez considerei que eram lindíssimos e pretendo mostrar às pessoas que eles são diferentes, mas ao mesmo tempo não são assim tão diferentes. E talvez a diferença que eles têm os torne ainda mais especiais”. Estas palavras são de Carlos Filipe, o mentor do projeto.

Carlos Filipe, David Venâncio e João Ferreira criaram o projeto intitulado “Amigos Imperfeitos”. Nesta iniciativa, os animais diferentes são fotografados juntamente com os seus donos que contam a forma como estes chegaram às suas vidas, os problemas que os mesmos têm de enfrentar e as formas que existem para superar estas limitações.

Carlos Filipe é fotógrafo e disse ao POSTAL como surgiu esta ideia: “Eu faço fotografia já há alguns anos. Estive fora do Algarve porque estive a viajar pelo mundo e decidi voltar a fazer fotografia. O problema é que não estava a conseguir arranjar inspiração. Entretanto estava um bocadinho perdido e foi quando decidi que gostaria de adotar um animal. Contactei diversas associações, no entanto, cheguei à conclusão de que aquele não seria o momento certo para adotar um animal.

Mas de um momento para o outro tudo mudou… 

“Entretanto, numa noite ligaram-me e disseram que tinham encontrado um cãozinho bebé com uma corda ao pescoço e que o animal estava totalmente desamparado. Olhei para ele e ele olhou para mim e decidi que tinha de ficar com ele. Chamei-lhe Boris. Dediquei muito tempo a este animal e comecei a tirar-lhe fotografias. O meu cão é um animal especial pois tem uma condição chamada pele atópica, ou seja, o pêlo velho cai mas o novo só nasce passado muito tempo. Tenho de ter muitos cuidados especiais com ele, desde desinfetar-lhe as patas de cada vez que vai à rua até ao facto de ter um cuidado redobrado com o sol porque se estiver muito tempo exposto a radiação solar acaba por criar feridas”.

A sua ideia é transmitir o modo de vida destes animais que diariamente se deparam com diversos desafios

Ao deparar-se com a situação do seu animal de estimação, Carlos Filipe chegou à conclusão de que poderia ajudar mais animais com limitações fazendo aquilo que melhor sabe fazer: fotografar. A sua ideia é transmitir o modo de vida destes animais que diariamente se deparam com diversos desafios.

Foi para a ADAP Portimão que fez o primeiro trabalho: “Eu tinha o sonho de fazer um projeto que juntasse a fotografia aos animais e, como tal, montei o meu estúdio na loja Kiowko onde tirava fotografias para quem quisesse. As pessoas pagavam um valor simbólico que revertia para a associação. Neste primeiro evento, estive lá e fotografei as pessoas que apareciam. Acabei igualmente por fotografar os animais da associação de modo mais artístico para colocar essas fotografias como impulsionadoras de possíveis adoções”.

O fotógrafo já fez diversas sessões fotográficas para ajudar associações, como a Pata Ativa em Albufeira ou a Pata Faro. No total foram angariados 2000 euros para as instituições de apoio aos animais.

O projeto “Amigos Imperfeitos” começou a dar os primeiros passos em outubro 

O projeto “Amigos Imperfeitos” começou a dar os primeiros passos em outubro e já está a ser amplamente conhecido.

“Um dia apareceram-me lá duas cadelinhas só com três patas e eu fiquei muito sensibilizado com a situação e comecei a falar com os donos que me contaram as histórias delas. Explicaram-me como os tinham adotado e o que fizeram para contornar a toda a situação e eu fiquei muito sensibilizado com isso”

“Em seguida, acabei por convidá-las para virem ao meu estúdio para lhes tirar fotografias e para me voltarem a contar a história das cadelinhas. No início queria apenas fazer uma exposição fotográfica com fotografias de animais com incapacidade, animais diferentes. Ao ouvir a história percebi que queria, para além das fotografias, que as pessoas conhecessem a história deles. Foi aí que contactei o David Venâncio, que tem uma empresa de vídeo para me ajudar a montar o projeto. Depois o João Ferreira foi uma ajuda imensa porque colabora com a ADAP e conhece muitas pessoas e animais. Por fim, contactámos a jornalista Fátima Perez para fazer a voz off, narrações e introduções”.

Esta série já conta com 20 episódios

Estes animais diferentes são os protagonistas principais desta série que na primeira temporada já conta com 20 episódios. Os vídeos estão disponíveis no youtube.

A ideia é exatamente desmistificar e dar a conhecer o quotidiano destes animais

Segundo o mentor do projeto “temos casos de animais com diabetes, animais que sofreram acidentes, animais em cadeiras de rodas. Existem limitações de vários géneros. Os donos contam-nos como foi a adaptação do animal às suas casas, como é o dia-a-dia deles e que cuidados devemos ter perante os problemas apresentados. Por exemplo, um dos amigos imperfeitos que nos chegou foi um animal que tinha diabetes e a dona explica como é que os cães podem adquirir esta patologia. Existem ainda cães com apenas três patas, gatos cegos, entre outros casos. A ideia é exatamente desmistificar e dar a conhecer o quotidiano destes animais”.

Carlos Filipe já fotografou cães, gatos, ratazanas, coelhos e afirma “estar disponível para fotografar qualquer animal”.

Todos os animais da primeira temporada têm dono, à exceção de dois gatos. Um deles chama-se Hugo e perdeu uma das patas porque foi atirado para dentro de um quintal. O outro  chama-se Joaquim e sobreviveu aos incêndios de Monchique.

Segundo Carlos Filipe “no final dos episódios fizemos o apelo para as pessoas adotarem animais diferentes e resultou muito bem. O Hugo foi adotado passados dois dias e o Joaquim também já está adotado. É importante realçar que o Joaquim sobreviveu aos incêndios, recuperou o pêlo mas está a sofrer com cancro. A pessoa que o adotou sabia disso porque viu o vídeo e mesmo assim adotou-o. Isto é bastante reconfortante e é um sentimento de missão cumprida”.

Os animais retratados neste série algarvia provam que a diferença não tem de ser necessariamente limitadora. Tal como tudo na vida, existem formas de contornar as situações problemáticas e estes animais são a prova viva de que é possível ultrapassar as dificuldades e viver uma vida perfeitamente normal.

Os mentores do projeto pretendem dar continuidade a esta ideia e já estão a preparar uma segunda temporada.

Se quiser saber mais sobre o projeto e ver os episódios clique AQUI

(Stefanie Palma)

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