Pata Ativa pretende fazer mais pelos animais e natureza em Albufeira

Pata Ativa pretende fazer mais pelos animais e natureza em Albufeira [fotogaleria]

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“A Pata Ativa Associação nasceu da vontade de fazer mais pelos animais e pela natureza de uma forma mais interventiva. Desde a sua criação, a Pata Ativa já realizou centenas de atividades, sempre com o objetivo de envolver a comunidade nas causas que defendemos”. Quem o diz é Lucélia Monteiro, ex-presidente e fundadora da associação.

A Pata Ativa atua em diversas vertentes

A Pata Ativa atua em diversas vertentes, tais como, a denúncia de maus tratos animais, situações de desrespeito pela natureza e posse irresponsável de animais de estimação. A associação dedica-se ainda à procura de novos donos para animais abandonados ou maltratados, promove campanhas de sensibilização dirigidas à população, fomentando o respeito, a defesa e a proteção dos animais e da natureza.

A associação defende ainda a prática de atividade física como forma de manutenção de uma vida saudável, difundindo a importância de uma vida ativa e de alternativas alimentares sem recurso ao consumo de animais.

Ana Castro, atual presidente da Pata Ativa, explicou ao POSTAL a simbologia do nome, “achámos que este nome representaria na perfeição a mensagem que queríamos passar. Em primeiro lugar porque pata vem de animal e depois ativa porque representa exatamente o espírito da associação. Nós pretendemos ser ativos e contribuir para uma sociedade e mundo melhor”.

A associação deu os primeiros passos em 2016

A responsável salientou ainda que “A Pata Ativa dedica-se um bocadinho a tudo, desde ajudar animais de rua, ajudar sem-abrigos, recolher donativos, alimentos, fazer “cãominhadas”, limpezas de praia” reforçando que o principal objetivo é “fazer com que as pessoas adotem um estilo de vida mais ativo e saudável”.

A associação tem em mente uma nova atividade que envolve os mais idosos e que será colocada em prática em breve. Ana Castro explicou ao POSTAL a ideia, “decidimos apostar nas pessoas mais idosas porque achamos que têm muito para nos dar. Estamos a pensar ir aos lares, contar histórias, levar os animais” salientando que “está provado que a interação dos animais com as pessoas é muito positivo para a saúde e bem-estar”.

A Pata Ativa deu os primeiros passos em 2016 mas nem tudo tem sido um mar de rosas.

Lucélia Monteiro, fundadora da associação disse ao POSTAL que “este projeto nasceu de um sonho, de uma paixão, e a maior parte dos membros fundadores já foram substituídos. Não é um trabalho fácil, é fruto de voluntariado e quem se entrega está sujeito a uma pressão grande, a muita frustração e muita angústia, de querer fazer mais e não ter meios”, sublinhando que “a associação está em boas mãos neste momento, mas era necessário maior envolvimento das populações e dos executivos camarários para que este trabalho tivesse um crescimento sustentado”.

A Pata ativa tem atualmente nove elementos efetivos

A Pata ativa tem atualmente nove elementos efetivos, no entanto, só quatro é que desempenham um papel mais ativo.

Para Ana Castro, presidente da associação, o principal problema assenta precisamente “na falta de voluntários e de verbas, pois um voluntário não consegue dedicar-se a 100%, nem mesmo a 50%. É quase impossível. Existe muita dificuldade na obtenção de novos voluntários porque nem toda a gente está disponível para dar muito de si. É complicado porque só temos nove voluntários efetivos e depois existem aqueles que só se voluntariam de vez em quando”.

Ao longo destes quase três anos a associação conseguiu estabelecer importantes parcerias, alcançando metas importantes como as campanhas de esterilização solidárias, as cãominhadas com os cães do canil municipal, que entretanto foram suspensas, os programas de voluntariado, a receção de cidadãos para cumprir horas de serviço comunitário, entre outras atividades.

“Ainda há um longo trabalho de sensibilização a fazer junto das pessoas”

Lucélia Monteiro mencionou que “o início foi difícil e sentimos que ainda há um longo trabalho de sensibilização a fazer junto das pessoas, principalmente a população de zonas mais rurais. Em geral, sentimos que compete ao poder local apoiar mais e focar a sua atenção em causas como a defesa animal e da natureza, que neste momento ainda não está a acontecer”.

A atual responsável partilha da mesma opinião, salientando que “nós não temos uma sede, não temos um local físico. Reunimo-nos onde conseguimos para meter em prática as nossas ideias. Somos convidados a estar presentes em vários eventos onde as pessoas nos dão donativos. Vivemos disso e também dos nossos associados”.

“O nosso associado paga 15 euros por ano e tem acesso a vantagens como descontos em veterinários, cabeleireiros, spas, ginásios. Temos cerca de 30 associações que dão vantagens aos nossos associados. Já tivemos cerca de 300, sendo que neste momento são 195”, acrescentou a atual responsável.

A associação celebra três anos em junho

Apesar das dificuldades pelas quais a associação tem passado, Ana Castro, faz um balanço positivo destes três anos, “ é de realçar que se nota uma grande evolução. A associação faz três anos em junho e quando eu entrei tinha cerca de um ano e meio. Na altura tínhamos cerca de 1200 seguidores nas redes sociais e atualmente temos 12 mil, o que é uma grande diferença”, afirmando que “é muito importante que as pessoas nos conheçam e que se interessem por estas temáticas. Temos escolas a querer colaborar connosco e muitos comerciantes na Baixa de Albufeira e no Centro também. Geralmente cedem-nos o espaço em troca de divulgação”.

A atual presidente fala com especial apreço de um novo projeto, dedicado aos mais novos, onde serão realizadas atividades juntamente com os animais. “Vários estabelecimentos na zona de Albufeira já nos contactaram e disponibilizaram-se para nos ceder o espaço, para que possamos realizar este tipo de atividades.

“Existem muitas coisas que podemos fazer com os animais. Estamos a tentar apostar fortemente na sensibilização. Queremos que os mais novos entendam que adotar um animal não é só ir buscá-lo e levá-lo para casa. É necessário que se transmita esta mensagem para que também eles possam influenciar positivamente todos aqueles que estão ao seu redor”, explicou.

A proteção animal é um dos pontos essenciais para a associação, “nós ajudamos na promoção e divulgação dos animais, de forma a arranjarmos famílias para os animais que são abandonados ou maltratados. Mesmo sem verbas conseguimos fazer um bom trabalho”, referiu Ana Castro.

“Quantos mais casos conseguirmos resolver menos vão para o canil. Tentamos sempre fazer o melhor possível. Nós não temos um canil, mas encaminhamos os animais para os nossos veterinários, arranjamos famílias de acolhimento temporário até eles ficarem disponíveis para adoção”.

A responsável concluiu dizendo que “estou muito desmotivada porque tenho de cancelar eventos devido à falta de pessoas”, lamentando que o principal problema da associação seja mesmo “a falta de voluntários, pois ninguém se oferece, ninguém quer ajudar”.

“Enquanto presidente acho que o ser humano devia ser mais feliz por conseguir e querer ajudar. Ninguém consegue ser feliz se não tiver uma veia solidária presente”, no entanto “noto bastante que hoje em dia ninguém faz nada por amor. As pessoas andam muito focadas na família, no trabalho, nas férias, em ganhar muito dinheiro e não pensam que com um pequeno gesto podemos fazer toda a diferença”.

Se quiser tornar-se voluntário pode contactar a Pata Ativa através do email: pata.ativa.associacao@gmail.com ou através do telemóvel: 912538744.

(Stefanie Palma / Henrique Dias Freire)

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