INEM andou quatro horas às voltas com ferido mais grave dos incêndios

INEM andou quatro horas às voltas com ferido mais grave dos incêndios

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O ferido sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau (Foto D.R.)

O INEM levou cerca de quatro horas a socorrer a vítima mais grave dos incêndios do fim de semana, em Vila de Rei.

O ferido, “que sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau no sábado ao início da noite, andou às voltas numa ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) desde Vale da Urra até ser transportado de helicóptero para o Hospital de São José, em Lisboa, onde se encontra em coma induzido”, avança o Jornal de Notícias.

Tendo em conta a gravidade dos ferimentos e a impossibilidade de a vítima mais grave destes fogos ser helitransportada a partir de Vila de Rei, por ser já noite e o fumo impossibilitar a visibilidade, o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) “ordenou que o queimado fosse levado pela SIV, acompanhada pela viatura médica de emergência e reanimação (VMER), para o aeródromo das Moitas, a cinco quilómetros de Proença-a-Nova”.

O mesmo jornal acrescenta que “os responsáveis do CODU ativaram o helicóptero do INEM de Santa Comba Dão, que levantou às 22.59 horas de sábado. A ordem de serviço – apurou o JN – era pousar naquela pista e fazer o helitransporte de emergência para a capital, onde era expectável que chegasse pela meia-noite e meia de domingo”.

Ainda segundo a mesma fonte, “a pista gerida pela Câmara de Proença-a-Nova acolhe somente voos diurnos – como é possível perceber na carta de certificação que consta na Navegação Aérea de Portugal (NAV). Mas pode haver exceções, segundo regras da ANAC – Autoridade Nacional de Aviação Civil. Mas o CODU está obrigado a perceber com a direção técnica da infraestrutura quais as capacidades para acolher um helitransporte”.

Évora acabou por socorrer a vítima

Quando o héli de Santa Comba Dão já se encontrava sobre a zona, foi aconselhado a permanecer no ar até haver resposta da direção da pista. Problema: o CODU acionara a aeronave sem ter a garantia de que poderia aterrar ali. A pista não tem iluminação e era necessário alguém para ligar um holofote.

O JN sabe ainda “que o CODU não conseguiu contactar o diretor da pista e responsável pela Proteção Civil de Proença-a-Nova, Daniel Farinha, assim como o comandante dos bombeiros locais, por se encontrarem envolvidos no combate aos fogos”.

No ar já há algum tempo, e com níveis de combustível só para o regresso, o héli voltou à base. 

O Jornal de Notícias acrescenta que “o CODU acionou então o héli de Évora, que se deparou com o mesmo problema”.

Em declarações ao mesmo jornal, Nuno Alves, dirigente da Associação Desportiva e Cultural de Proença-a-Nova, adiantou que “o INEM terá então recorrido ao presidente da Câmara para autorizar a aterragem no campo de futebol Senhora das Neves”.

O ferido “foi para o campo onde permaneceu cerca de uma hora e meia dentro da SIV para ser estabilizado. Foi o héli de Évora que levou para Lisboa o ferido, onde só chegou cerca das três horas da manhã de domingo”, acrescenta.

O JN salienta ainda que o INEM “não deu qualquer resposta sobre o caso, assim como a ANAC e a Babcock – empresa que opera os hélis”.

Por sua vez, João Lobo, autarca de Proença-a-Nova lamentou o sucedido, dizendo que “da nossa parte fizemos tudo o que poderia ter sido feito”.

(SP/CM)

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