A nutrição como meio de prevenção das doenças neurodegenerativas

A nutrição como meio de prevenção das doenças neurodegenerativas

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Cláudia Nunes dos Santos, Investigadora do Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC-NMS|FCM), publicou recentemente o primeiro artigo no âmbito do projeto financiado pelo European Research Council (ERC), com o título “Low molecular weight metabolites from polyphenols as effectors for attenuating neuroinflammation” na revista científica Journal of Agricultural and Food Chemistry da prestigiada American Chemical Society.

Equipa de investigação da Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Nova de Lisboa
(Foto D.R.)

Com o envelhecimento da população, a prevenção e o atraso das doenças neurodegenerativas é hoje em dia uma crescente preocupação. A possibilidade de alterar a progressão e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas por meio da dieta é uma abordagem muito atraente e que é cada vez mais apoiada por dados científicos.

É sabido que uma dieta rica em legumes e frutas nos fornece uma quantidade significativa de compostos bioativos chamados polifenóis e que estes podem ter uma função neuroprotetora. Num trabalho anterior, a equipa de investigação descobriu que um dos metabolitos resultantes da ingestão de polifenóis desempenha um papel relevante no processo de neuroinflamação das células imunes do cérebro (chamadas microglia) – processo biológico comum a todas as doenças neurodegenerativas.

No entanto, apesar de existir uma descrição dos metabolitos dos polifenóis, existe pouca informação sobre o efeito destes compostos na neuroinflamação e interessa por isso identificar metabolitos e selecionar aqueles que realmente chegam ao cérebro.

Em 2017, a investigadora Cláudia N. Santos recebeu uma bolsa ERC para preencher este vazio no conhecimento e estudar a influência destes metabolitos na neuroinflamação e os seus mecanismos moleculares. Isto é, perceber quais destes metabolitos chegam ao cérebro, e quais os que afetam os processos inflamatórios no cérebro. O artigo de revisão agora publicado, sistematiza quais os metabolitos dos polifenóis que atingem a circulação e os mecanismos moleculares subjacentes aos seus efeitos no processo inflamatório cerebral que afeta as doenças neurodegenerativas. Este primeiro artigo resultante do financiamento europeu é o mapa a partir do qual esta equipa de investigação continuará a sua pesquisa e para além disso servirá de base de dados para tantos outros cientistas que trabalham nesta área.

Análises futuras irão elevar o grau de complexidade do sistema e os efeitos dos metabolitos polifenólicos serão investigados num contexto multicelular, e seguidamente o seu papel na neuroinflamação testado em modelos animais.

Finalmente, a investigadora Cláudia Santos refere a importância de uma dieta variada e a ingestão de frutas e legumes para minimizar os efeitos de doenças neurodegenerativas ou mesmo adiar o aparecimento deste tipo de doenças.

NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Nova de Lisboa

(© 2019 – Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva)

(CM)

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