#PrayForAmazonas

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Susana Santos, Professora

A hashtag #PrayForAmazonas está entre os assuntos mais comentados nas redes sociais, resultado dos incêndios que têm deflagrado a floresta Amazónica, a maior floresta do mundo, provocando uma onda de indignação à escala mundial por se tratar de um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo e por ser responsável por aproximadamente 20% do oxigénio da Terra e sendo, por isso, muitas vezes reconhecida como o pulmão do planeta.

Segundo a agência de noticias britânica Reuters já foram detetados 72 mil fogos na Amazónia e devastando mais de 70 mil hectares, só este ano.

A floresta da Amazónia é o pulmão do planeta (Foto D.R.)

A Amazónia inclui o conjunto de ecossistemas que correspondem à Floresta Amazónica, que alcançando uma área de mais de 5 milhões de km 2 e, também, a Bacia Amazónica, a maior bacia hidrográfica do planeta, e que ocupa mais de 7 milhões de km 2.

Esta região inclui territórios pertencentes a nove nações, nomeadamente, o Perú, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname, Guiana Francesa e Brasil, sendo neste último país onde se concentram 60% das florestas. A fauna é extraordinariamente rica, possuindo mais de 30 milhões de espécies (além das que se desconhecem) e a flora é bastante diversificada, contando com árvores, ervas, arbustos, lianas e trepadeiras e apresenta um elevado potencial medicinal e económico.

A Floresta Amazónica representa, também, a residência de 400 povos indígenas (sem contar com as étnias desconhecidas) que vivem em tribos da mesma forma que seus antepassados, em harmonia com a natureza, alimentando-se do que caçam, da coleta de vegetais, da pesca e da agricultura de subsistência. A grande maioria não possui contacto com exterior, pelo que, rejeita qualquer avanço tecnológico e desconhece completamente o que acontece no resto do mundo, revelando uma vulnerabilidade evidente às diversas ameaças, como esta dos incêndios.

A Floresta Amazónica é a residência de 400 povos indígenas (Foto D.R.)

Nas últimas décadas, a Amazónia tem sido palco de um desmatamento abrupto resultado do crescimento desenfreado do sector da agropecuária. A criação de gado bovino é a atividade que mais contribui para o desmatamento na Amazônia, quer para ocupação dos animais, quer para fornecer a sua alimentação; são cultivadas extensas plantações de arroz, milho e, principalmente, soja para este fim e estima-se que sejam abatidas extensões equivalentes a cinco campos de futebol de florestas tropicais a cada minuto para suprir estas necessidades.

O gado bovino, durante o processo de digestão (fermentação entérica), é responsável pela libertação do metano, o gás de efeito estufa mais destrutivo e que mais contribui para o aquecimento global. A sua carne saciará o apetite voraz de uma população mundial muitas vezes desconhecedora das consequências, contribuindo para o enriquecimento de quem lucra com o agronegócio de forma irresponsável – somos, portanto, TODOS responsáveis, direta ou indirectamente, por este flagelo!

A floresta da Amazónia está a arder há vários dias (Foto D.R.)

Os solos da Amazónia são muito pobres em nutrientes, pelo que, são produtivos por um curto período de tempo, o que faz com que os agricultores estejam constantemente a mudar-se para novas áreas, desmatando cada vez mais e mais florestas. As queimadas consistem noutra técnica que visa a renovação da vegetação utilizada para a alimentação do gado conseguindo, deste modo, eliminar as ervas daninhas e fornecer nutrientes ao solo. Poderá estar aqui a explicação e a origem dos vários fogos registados na Amazónia e que têm sido a causa de tantas mortes inocentes.

Este texto é uma homenagem aos milhares de seres vivos, humanos e não humanos, que têm morrido devorados pelos incêndios causados pelo desatino humano e por todos aqueles que, inevitavelmente, ainda morrerão caso nada seja feito, nem haja uma mudança de paradigma, travando esta que é a maior ameaça mundial à nossa sobrevivência e à do nosso Planeta. (#PrayForAmazonas and #PrayForChange)

(SP)

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