A falta de água e de competência

A falta de água e de competência

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Como sabemos, a região algarvia é a que recebe menos pluviosidade no país e há dois anos que a chuva tem faltado, as barragens estão a esgotar muito rapidamente.

Daniel Graça Lic. em Economia
pelo ISEG – Lisboa;
Mestre em Educação de Adultos
e Desenvolvimento Comunitário, pela Univ. Sevilha;
Professor aposentado

No concelho de Tavira, na Campina, temos o 2º maior aquífero do país (segundo dizem) mas como deixou de ser utilizado há quase duas décadas, as bombas de extração de água devem estar estragadas.

A área de regadio aumenta significativamente todos os anos, os campos de golfe também, a população triplica durante o verão, ainda não vi serem adotadas medidas preventivas de poupança de água nem foi iniciado um debate publico acerca desta problemática, será que existem planos com cabimento orçamental camarário, nacional e dos fundos europeus para instalar estações de dessalinização no Algarve com antecedência suficiente para não andarmos a correr a comprar garrafões de água para tomar banho? Os projectos de construção levam anos a pôr em prática, mas a água está a rarear AGORA. 

Parece-me que os (ir)responsáveis políticos estão à espera que chova. E será que chove o suficiente para repor a água nos aquíferos? Será que não há ninguém a meditar no problema? Creio que não bastará uma dança da chuva para ela aparecer.

Há cerca de dez anos vi uma notícia na televisão espanhola que tinha sido acabada de instalar uma central dessalinizadora na região de Huelva, a qual seria a última de uma série delas na costa mediterrânica desde Barcelona até Huelva, pelo que nas cidades costeiras não lhes faltará a água para beber.

Os espanhóis têm pelo menos 12 anos de avanço sobre nós. Isto mostra a diferença de competência dos políticos espanhóis e portugueses para preverem os problemas e desenharem planos para os resolverem atempadamente.

Uma coisa é certa, a desertificação do Algarve e do Alentejo está em curso.

Na recente campanha eleitoral não ouvi falar neste problema. 

Quando faltar a água não vai haver turismo, nessa altura todos se porão a gritar. 

Duvido da capacidade intelectual da classe política portuguesa para gerir o interesse público. Creio que só sabem pensar nos seus interesses, nos interesses da família e dos amigos.

(CM)

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