ANIMAIS: Não podermos estimar, proteger e Amar quem bem entendermos, é um...

ANIMAIS: Não podermos estimar, proteger e Amar quem bem entendermos, é um aperto…

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De certo que o meu percurso neste Amor pela causa Animal, será o espelho de muitas outras pessoas amantes de Animais. Não sei, mas apostaria!

Tânia Rodrigues; licenciada em Serviço Social;
Presidente do Santuário Animal Mini Pigs Goats and Dogs

Ironicamente, foi o facto de algum dia o meu Pai se ter  afirmado como caçador que fez com que depressa me aficionasse por canídeos. Sempre longe do lar Humano – afinal “os cães de caça, não são para estar em casa, porque não podem ter muito mimo e têm que estar em canil” – nunca, desde que me lembre, me foi indiferente a espécie e a perdição que sinto pela mesma. Adquiriram mais território no meu coração, quando em adolescente, conheci o cãozinho do namorado (hoje marido e que embarcou comigo nesta loucura Animal!). Era o Gaston, um caniche cheio de personalidade que estava habituado ao tal lar humano e que depressa fez com que as ideias lá de casa mudassem. Claro, o poder da observação, da interação e das emoções, não podia deixar espaço para algo diferente! Um ser senciente. Um cãozinho de estimação. Seguiram-se vários cãezinhos de estimação! 

Depois os bicharecos (insisto em chamar assim aos gatos!) – não ficar indiferente ao atropelamento de um bichareco, foi o passaporte para se repetir a história, mas  desta vez, com felinos. Mais uma rendição.

Mas, até aqui nada de novo. Cães, Gatos, os clássicos Animais de Estimação, Animais Domésticos.

Seguiram-se os Porcos e é aqui que tudo muda. Amar Porcos, estimá-los, para a maioria, é loucura, porque o que sempre fez sentido segundo o sistema, é que apareçam no prato, depois de passar pela engorda dentro de uma qualquer pocilga. Mais, ter um Porco em casa, é uma autêntica “Porcaria”, no sentido mais ignorante da palavra! Mas, para nós, independentemente de ser Porco, Cão ou Gato, a história repetiu-se – o poder da observação, da interação e das emoções, não podia deixar espaço para algo diferente! Foi até mais desafiante, conhecermos esta espécie, pelo grau de inteligência que apresenta.

Seguiram-se as Cabras, as Ovelhas, os Equinos, os Asininos, as Aves… ai as Aves! As penas, para nós assumidos “amantes de Animais”, pareciam que não tinham aquele lugar, mas… Foi até uns amigos nos ofertarem (com o nosso consentimento, claro está!) um par de Gansos e pronto, bastou! Rendidos a mais uma especie, da mesma forma de rendição a todas as outras e seguiram-se, Galinhas, Perús, Patos, Passarinhos “de Gaiola”.

Percebemos, por nós mesmos que o sistema dita as regras para este padrão de normalidade de podermos estimar só algumas espécies e servirmo-nos de outras,  condicionando a razão de nos predispormos a usar o cérebro e percebermos a senciência inerente.

Lamentavelmente, pudemos perceber também que quanto mais espécies conhecemos, mais lidamos com a lacuna e desrespeito deste mesmo sistema para com os Animais.

Equinos que são encontrados abandonados, subnutridos já sem força para se levantar e ninguém pode fazer nada – não há onde os pôr. Fiscalizações que acontecem em explorações Suínas ou Bovinas, onde são detectadas irregularidades, mas os Animais permanecem com quem os maltrata – novamente não há entidades que os recebam. Subespécies de faisões que não podemos deter, porque os únicos criadores autorizados, desenvolvem a reprodução em prol de largadas das aves para caçadores… Enfim, muitos mais exemplos se podiam mencionar, mas… aguardamos prioritáriamente a efectivação de leis, direitos e deveres para os clássicos Animais Domésticos, e mudança para um enquadramento jurídico que nos permita estimar e proteger outras espécies, nomeadamente os chamados “Animais de pecuária”. Devíamos ser Humanos.

Não podermos estimar, proteger e Amar quem bem entendermos, é um aperto…

(CM)

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