Fiscalidade verde aumenta consumo de sacos de lixo

Fiscalidade verde aumenta consumo de sacos de lixo

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Consumo global de sacos de plástico diminuiu, representando vantagens ambientais
Consumo global de sacos de plástico diminuiu, representando vantagens ambientais

A criação da fiscalidade verde, nomeadamente a taxa sobre os sacos de supermercado, veio aumentar o consumo de sacos do lixo mas trouxe, ao mesmo tempo, vantagens ambientais, diz um especialista de resíduos da Quercus.

“O que é natural, e faz sentido, é que o consumo global de sacos de plástico tenha diminuído, embora tenha aumentado o consumo de sacos do lixo. Mas, como diminuíram muito os sacos das compras, a nível ambiental houve uma vantagem nesta medida”, defende Rui Berkemeier, especialista de resíduos da Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus), em declarações à agência Lusa.

Para Rui Berkemeier, era expectável o aumento do consumo de sacos de plástico para o lixo, pois as pessoas já não levam para casa os sacos das compras que antes eram oferecidos nos supermercados, embora alguns ainda o façam.

O jornal “Público” revela esta segunda-feira que a medida de fiscalidade verde, colocada em prática em Fevereiro, fez aumentar o consumo de sacos de lixo em 40%, um efeito colateral da taxa sobre os sacos de plástico dos supermercados esperado pelo Governo, mas que pode reduzir os benefícios ambientais da medida.

Quantidade utilizada é inferior à dos sacos que eram oferecidos

Segundo Rui Berkemeier, deixaram de ser utilizados “milhões de sacos”. Estima-se, agora, que a quantidade utilizada actualmente seja “inferior à dos sacos que eram oferecidos”. “Quando recebiam sacos gratuitamente, era um número abusivo, [os supermercados] davam a mais. Agora, quando têm de comprar para o lixo, só compram o que precisam”, refere o especialista, sublinhando que o problema dos sacos de plástico é o “facto de estes se romperem, serem deixados no ambiente e irem poluir a natureza e contaminar os oceanos e prejudicar a fauna marítima”.

Rui Berkemeier lembra ainda que a medida da fiscalidade verde “não foi uma inovação portuguesa”, mas antes uma sequência das medidas que são seguidas a nível mundial. O responsável da Quercus recorda que todos os estudos realizados indicam que é “vantajoso para o ambiente” deixar de oferecer os sacos de plástico nos supermercados.

De acordo com o responsável da Quercus, o ambiente também ficou a ganhar pelo simples facto de o plástico dos sacos do lixo ser reciclado, substituindo o saco de plástico das compras que era verde.

No entanto, Rui Berkemeier adverte que a fiscalidade verde, criada para induzir boas práticas nos cidadãos e nas empresas, quer nos serviços quer no dia a dia, não está a premiar quem está a cumprir e a ser amigo do ambiente no que aos resíduos diz respeito.

“O problema é que a Taxa de Gestão de Resíduos não penaliza o suficiente quem envia resíduos para aterro ou quem envia resíduos para incinerar, o que quer dizer que quem recicla acaba por não ver o seu esforço reconhecido”, sublinha.

Rui Berkemeier refere que a Taxa de Gestão de Resíduos esqueceu o ponto de premiar as autarquias que deviam pagar menos por reciclarem mais.

(Agência Lusa)

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