O que é a Diabetes Mellitus?

O que é a Diabetes Mellitus?

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Filipe Trindade Farmacêutico filipetrindade90@gmail.com
Filipe Trindade
Farmacêutico
filipetrindade90@gmail.com

A Diabetes Mellitus é uma doença crónica caracteri­zada pela presença de ní­veis elevados de glicose no sangue. Esta condição deve-se prin­cipalmente a distúrbios no metabolismo dos hidratos de carbono (vulgarmente desig­nados por açucares), lípidos e proteínas, resultantes de pro­blemas na secreção de insulina pelo pâncreas e/ou acção des­ta hormona nas células. Sendo uma das principais causas de morbilidade crónica e dimi­nuição da qualidade de vida, é também responsável por um número elevado de consultas e internamentos hospitalares. Em termos económicos, esti­ma-se que o custo do controlo e tratamento da diabetes em Portugal seja de cerca de 10% do orçamento para a Saúde (aproximadamente 1500 mi­lhões de euros).

Os tipos de diabetes
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Saiba como prevenir diabetes

Existem vários tipos de diabetes, sendo que os mais comuns são a Diabetes tipo I, tipo II e a Diabetes gestacio­nal. No caso da diabetes tipo I (5-10% dos diabéticos), cujo diagnóstico é mais comum na infância e adolescência, é uma doença auto-imune que resulta da destruição das cé­lulas do pâncreas responsá­veis pela produção e secre­ção de insulina. Deste modo, a administração de insulina torna-se indispensável para a sobrevivência.

Já a Diabetes tipo II, a for­ma mais frequente, está ge­ralmente associada a factores de risco como a obesidade, sedentarismo, tabagismo e níveis elevados de coleste­rol. Nestes casos, existe uma acção diminuída da insulina nas células e a sua produção poderá ou não estar afectada.

Controlo dos factores de risco
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Diabetes tipo I, é uma doença auto-imune que resulta da destruição das células do pâncreas responsáveis pela produção e secreção de insulina

A Diabetes gestacional ca­racteriza-se pela presença de hiperglicémia detectada pela primeira vez na gravidez. Acontece em cer­ca de 7% das grávidas, o seu risco aumenta com a idade e está ligada a alterações hor­monais na gravidez que afectam a acção da in­sulina.

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O consumo de medicamen­tos para o tratamento da dia­betes tem vindo a aumentar ao longo dos anos, mas a do­ença está longe de ser contro­lada. O tratamento, para além da medicação, deve incidir no controlo de todos os factores de risco associados à doença. Ao nível da Farmácia Comu­nitária, o seu farmacêutico pode ajudar no controlo da diabetes através da avaliação da adesão à terapêutica, das interacções medicamentosas e gestão das reacções adver­sas. Para além disso, pode au­xiliar na educação do doente diabético para a autovigilân­cia dos valores de glicose no sangue e na gestão de outros factores de risco asso­ciados, através da monitorização da pressão arterial, do contro­lo de peso e educação alimen­tar, na cessação tabágica e na promoção da prática de exer­cício físico.

Riscos associados à diabetes
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Diabetes tipo II, a mais comum, associada a estes e outros factores de risco que se podem prevenir

Apesar de silenciosa, a lon­go prazo, a diabetes pode originar um conjunto de complicações sérias no orga­nismo como a perda de visão (retinopatia diabética), in­suficiência renal (nefropatia diabética), problemas cardio­vasculares (enfartes e AVC’s) e úlceras ou amputação dos membros inferiores (pé dia­bético). É assim de extrema importância que todas as pessoas diagnosticadas com diabetes sejam avaliadas pelo menos uma vez por ano para prevenção e detecção preco­ce destas complicações.

Contudo, mais importan­te que o tratamento e acom­panhamento dos doentes diabéticos, é a prevenção e detecção precoce da doença. Neste âmbito, são de extrema importância as campanhas de sensibilização e rastreios promovidos pelos profissio­nais de Saúde.

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