O que ver, na ágora

O que ver, na ágora

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A OPINIÃO de ADRIANA NOGUEIRA; Classicista; Professora da Univ. do Algarve adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com
A OPINIÃO de ADRIANA NOGUEIRA;
Classicista;
Professora da Univ. do Algarve
adriana.nogueira.cultura.sul@gmail.com

A passear pela ágora, reparo nas muitas atividades culturais que aqui se desenrolam. Não é só um espaço de mercado e de venda de produtos, há também muita oferta cultural… e gratuita!

As autarquias e juntas de freguesia têm-se esmerado para que os seus residentes sintam que é bom viver onde os outros apenas passam férias: para além do nosso excelente clima, não estamos culturalmente abandonados. Provavelmente estou a falar contra a maré: sim, não temos ópera com muita frequência, mas temos tanta oferta cultural!

Assim de repente, sem ter que puxar muito pela cabeça, vêm-me à ideia três exposições que têm tudo para serem um sucesso: até 15 de setembro, na Associação 289 (no Solar das Pontes de Marchil, na saída de Faro para Loulé, de quarta-feira a domingo, das 17h às 21h), podemos ver obras de mais de sessenta artistas, num projeto do também artista Pedro Cabrita Reis; até 23 de setembro, no Museu Municipal de Faro, podemos ver (aos sábados e domingos) a exposição «A evolução do braço – Surrealismo na Coleção Millennium BCP e alguns ecos contemporâneos». Com curadoria de Nuno Faria, estão presentes obras de Mário Cesariny, António Dacosta, Graça Morais, Paula Rego e Cruzeiro Seixas, bem como de uma geração de surrealistas, mais recente; e até 14 de outubro, em Tavira, no Museu Municipal de Tavira – Palácio da Galeria (de terça a sábado, das 10h às 16.30h), podemos ver a exposição «Mulheres Modernas na Obra de José de Almada Negreiros», com curadoria de Mariana Pinto dos Santos, constituídas por obras, em grande parte, pertencentes à Fundação Calouste Gulbenkian. Não vamos a Lisboa? Lisboa vem até nós.

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Ana Cristina Leonardo publicou, neste junho passado, o romance “O centro do mundo” (Foto: D.R.)
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E as Feiras do Livro? Há várias, por todo o Algarve, com mais ou menos autores, mais ou menos atividades paralelas e de animação, mas sempre com muitos livros. É uma boa ocasião para conhecer os seus autores preferidos e outros de que nunca ouviu falar, o que pode ser um belo momento de descoberta. Além disse, podemos ter acesso a edições que andam arredadas dos circuitos mais comerciais, como as Livros de Bordo, Orfeu Negro, Licorne, Letra Livre, & Etc, não edições, Pato Lógico ou Frenesi (de algumas não deve ter ouvido falar muito, mas têm, em geral, livros muito bons!).

Nos escaparates vejo muitos livros, todos a apelar-me a que os leia. Pego num, que tem uma capa onde reconheço os cubos com janelas, mirantes, escadas e açoteias: é o mais recente livro de Ana Cristina Leonardo, que publicou, neste junho passado, o romance «O centro do mundo». Agora que esta rubrica tem metade dos caracteres, não é fácil falar de um livro como este, mas posso tentar: tem humor, história, anedotário olhanense, com figuras típicas (perfeitamente compreensível por quem não conheça, sequer, a cidade), tudo isto acompanhado por uma cativante voz de narrador que entrelaça estas vidas com a de Boris Skossyreff, uma personagem real que parece saída de um livro de fantasia, com drama, violência e graça. Parece uma estranha mistura, mas quando percebemos que Olhão é o centro do mundo, tudo fica explicado. Um livro que não se esquece facilmente e alimenta muitas conversas.

Fico por aqui, desejando que aproveite o verão e tome muitos banhos de cultura.

(Artigo publicado no Caderno Cultura.Sul de Julho)

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