Bastonário da Ordem dos Médicos: “É uma prioridade que o Governo invista...

Bastonário da Ordem dos Médicos: “É uma prioridade que o Governo invista mais na saúde do Algarve”

177
PARTILHE
Miguel Guimarães teve o intuito de verificar, no local, o impacto que a falta de médicos especialistas está a ter nesta região, ao nível do acesso aos cuidados de saúde e ao nível da formação médica. (Foto: Maria Simiris - Jornal POSTAL)
Miguel Guimarães teve o intuito de verificar, no local, o impacto que a falta
de médicos especialistas está a ter nesta região, ao nível do acesso aos cuidados de saúde
e ao nível da formação médica. (Foto: Maria Simiris – Jornal POSTAL)

Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos, visitou ontem, terça-feira, dia 28 de Agosto, o Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), em Faro, na sequência das dificuldades verificadas devido à falta de médicos especialistas e à incapacidade de atrair jovens médicos para o Algarve. O objectivo da visita foi o de se verificar, in loco, o impacto que a falta médicos especialistas está a ter na região, ao nível do acesso aos cuidados de saúde e ao nível da formação médica. Para além disso, Miguel Guimarães, pretendeu ainda perceber como é que o CHUA lidou com a carência de especialistas face ao aumento exponencial da população durante os meses de Verão. As queixas de alguns serviços, como Medicina Interna, Cirurgia Geral e Urgências, foram alvo de avaliação específica.

Após a visita, o Bastonário, acompanhado por Ulisses Brito, presidente da Sub-Região de Faro da Ordem dos Médicos, prestaram declarações.

O presidente começou por afirmar que o Hospital de Faro tem enormes “carências em recursos humanos”. Situação que se torna mais crítica nos meses de calor, uma vez que os doentes “quadruplica, ou triplicam e as instalações, bem como os recursos humanos, não estão adaptados”. Apesar das grandes dificuldades no estabelecimento hospitalar, Ulisses Brito, enaltece que as “as coisas caminham no bom sentido, uma vez que há vários concursos abertos para reforçar os quadros”.

O presidente esclarece ainda que as dificuldades no Serviço Nacional de Saúde (SNS) “são a nível nacional pela falta de investimento”.

Ulisses Brito, presidente da Sub-Região de Faro, acompanhou o Bastonário na visita (Foto: Maria Simiris - Jornal POSTAL)
Ulisses Brito, presidente
da Sub-Região de Faro, acompanhou o Bastonário na visita (Foto: Maria Simiris – Jornal POSTAL)
- Pub -

“A medicina pública tem ficado para segundo plano e não tem havido investimentos”

Neste sentido, Miguel Guimarães é da opinião que “O Algarve é uma região muito importante para o país e é muito aquilo que é a imagem do nosso país lá fora. É uma região muito visitada e que deixa uma imagem do que o nosso país tem de bom ou, eventualmente mau. Por isso, é uma prioridade que o Governo invista mais na saúde desta região”. Para além disso, o Bastonário declara que a medicina privada na região cria concorrência: “O Governo tem de ter em atenção aquilo que é a capacidade de resposta que o serviço público de saúde tem de dar na região, que para além de tudo, tem uma medicina privada muito forte e que entra facilmente em concorrência com o sector público”.

Miguel Guimarães deixa então quatro sugestões: “que se ouçam mais os médicos; que se melhor a capacidade de resposta através da contratação de capital humano; atender às deficiências que existem nesta unidade e que foram identificadas, nomeadamente nos serviços de Urgência, bloco de partos, Medicina Interna, Obstetrícia, Anestesiologia, Pediatria, Dermatologia, Ortopedia, Neonatologia, Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Anatomia Patológica, Urologia, Hematologia e Cirurgia Pediátrica. A última chamada de atenção do Bastonário vai para o serviço de radiologia, uma vez que a partir das 21 horas, não há presença física, no CHUA de radiologista. “Esta é uma situação particularmente grave esta situação. Não é exclusiva do Algarve, mas preocupa-me e é fundamental que a nossa Ministra da Saúde atente a estas situações e que reforce os quadros”.

Ulisses Brito, em relação a este tema, afirma que “passámos por seis anos de desinvestimento na saúde. A maior parte dos equipamentos ficaram obsoletos”. Exemplifica com o facto de o CHUA possuir 600 camas e apenas um aparelho de TAC. “E como estes há vários exemplos. Isto leva a que as pessoas desincentivem. A medicina pública tem ficado para segundo plano e não tem havido investimentos”, finaliza.

(Maria Simiris / Henrique Dias Freire)

 

Comentários no Facebook