O Humor é coisa séria: Rir é o melhor remédio

O Humor é coisa séria: Rir é o melhor remédio

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António Rodrigues Gomes;
Professor de Filosofia

Tenho um amigo que lhe carrega bem na pinga. Uma inclinaçãozinha tão grande quanto o seu sentido de humor (haverá alguma relação causal entre o álcool e a boa disposição?). Haja quem se atreva a segredar-lhe os pretensos malefícios do álcool – e ele logo claramente expõe o que aprendeu com os anos: que não senhor; que, pelo contrário, quanto mais vinho mais vida. E se for cachaça?! “Experimenta um bom copo de cachaça com uns figuinhos secos, todos os dias pela manhã. Cada copo que bebas é um dia a mais que viverás”. E não há como contradizer tamanha sabedoria de quase 90 anos feita.

Ouço-o e não posso evitar a lembrança de uma outra máxima (com o mesmo significado, ainda que expresso em sentido contrário e por outras vias) de Groucho Marx: “se continuas a fazer anos, acabarás por morrer”.

As gracinhas sérias do meu amigalhaço pingolas, associo-as a uma ideia cada vez mais difundida: a dos benefícios do riso para a saúde. A premissa não é, agora, “beber é o melhor remédio”, mas “rir é o melhor remédio”. Segundo esta teoria, quanto mais rirmos mais viveremos; porque o rir é a solução para muitos problemas da vida quotidiana, é a prevenção contra uma lista de males que incluem doenças cardíacas, colesterol “mau”, tensão alta… e o resto que se adivinha. Tudo isto está claramente fundamentado, acrescenta-se, em testes científicos realizados pelas melhores universidades de todo o mundo, com relevância, já se vê, para as mais credenciadas, quero dizer, as dos Estados Unidos.

Esta ligação entre o riso e a longevidade com qualidade, esta convicção tem-se espalhado tanto que levou à multiplicação dos centros de terapia do riso. Estes centros são apregoados publicitariamente usando os tais resultados do riso que limpa os pulmões, deixa-os mais fortes, melhora a digestão e a circulação sanguínea e protege o sistema imunológico, combate a tristeza e a depressão… E um longo etc..

Mas o benefício mais agradável do riso é… a promoção da beleza. Contam-se sempre por dezenas os músculos que intervêm nas risadas ou, ainda mais, tratando-se de gargalhadas. E se conversarmos e gargalharmos conjuntamente? bem… neste caso, o número pode rodar a centena. E é assim que se estica a pele e se retarda o aparecimento de rugas. Maravilha!, não é?

Sítios da Web onde se enaltecem as virtudes da risoterapia, há-os aos montes. Consulto-os e fico sem saber se os tome a sério ou com espírito de humor; na verdade, encontro as virtudes anunciadas, na sua maioria, em outras maravilhas milagreiras como as sementes, o gengibre, a curcuma e bastantes outros produtos na moda. Contudo, a coisa muda de feição (será que sim?) quando se fala do yoga do riso. Porque, agora, é algo mais (será que sim?) sério…

…. Com mais fundamento científico. Começa por aqui: o yoga do riso foi introduzido por um médico, o indiano Dr. Madan Kataria, com um artigo de 1995: “O riso: a melhor medicina”. Baseado em pesquisas sobre o poder curativo do riso assim como da respiração, Kataria aliou um e outra e criou o primeiro Clube do Riso.

Informam as respetivas fontes que, atualmente, há clubes destes em mais de 100 países de todo o mundo, orientados por algumas dezenas de milhar de professores e contando com muitos milhares de participantes. Estes reúnem-se em parques, sítios de yoga, empresas, centros de trabalho, escolas, hospitais… onde vem a jeito, digamos. E reúnem-se para, adivinha-se, para rir. Para rir, a qualquer pretexto: que alguém do grupo faça mal os exercícios; caminhar como os pinguins; deitar a língua de fora… Ou mesmo sem qualquer pretexto: na verdade, sabemos, por experiência própria ou alheia, que se pode rir sem precisar de anedotas ou outro indutor do riso, podemos ser nós a provocá-lo. O melhor é que o nosso corpo não distingue o riso real do riso forçado, pelo que os benefícios são iguais em ambos os casos. Tal como o bocejo, o riso é contagioso: um riso inicial forçado facilmente se propagará a todos os elementos do grupo, que rirão de forma melodiosa ou estridente, mexendo os braços…

Deste modo (libertando substâncias antidepressivas e aumentando a oxigenação do cérebro e acelerando o ritmo cardíaco e por outros mecanismos), melhora-se o estado de espírito, a concentração e a capacidade criativa, ganha-se bem-estar psicológico… O objetivo final é obter um estado de alegria permanente, para a vida, sem que seja necessária a presença de qualquer motivo consciente.

Kataria é o “guru do riso”. O Dia Mundial do Riso foi criado por sua iniciativa. E, diz-se por aí, que todos os dias se liga, pelo Skype, com Clubes do Riso, rindo todos… (cito) em japonês, alemão, inglês, hindu… Também por aqui se conclui que o riso é mesmo coisa séria, que é como quem diz “rir é o melhor remédio”.

(Este texto, que deve muito a http://yodelarisa.com, está publicado também em http://omeubau.net/rir-e-o-melhor-remedio)

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