É urgente voltar à campanha “Comer bem é mais barato”

É urgente voltar à campanha “Comer bem é mais barato”

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A OPINIÃO de BEJA SANTOS;
Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor;
Consultor do POSTAL

Em 2011, em momentos dramáticos da crise financeira, da austeridade, da perda de poder de compra, do crescente desemprego e do avolumar de novas desigualdades, um conjunto de entidades, monitorizadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, lançava uma campanha intitulada “Comer bem é mais barato”, com sugestões de ementas a 1 euro por pessoa, indicando os modos de confecção, brochuras de distribuição gratuita, uma campanha divulgada em meios de comunicação social e com coordenação científica da professora Isabel do Carmo. Parece ser timbre nosso rapidamente deixarmos no olvido causas nobres e mensagens de grande mérito. Se é verdade que esses momentos dramáticos conheceram alívio, há muita gente a passar as maiores dificuldades e faz todo o sentido que a Fundação Gulbenkian volte a liderar a nobre causa. Diz a professora Isabel do Carmo que o comer bem é ingerir as calorias suficientes para nos dar a energia necessária para sustentar o corpo, trabalhar, movimentarmo-nos, precisamos de alimentos saudáveis e de ingerir comida que tem sabor, comer é uma prática de convivência que não pode ser desmerecida. E escreve a médica: “Uma grande parte das famílias portuguesas não tem dinheiro suficiente para pagar as despesas, e não ter dinheiro, quando se trabalha ou quer trabalhar, não é nenhuma vergonha. Mas não pode faltar o básico – a alimentação. Foi por isso que um grupo dos melhores nutricionistas do país elaborou um conjunto de receitas que são constituídas por alimentos ricos nutricionalmente, saborosos e simples de preparar. Um grupo de especialistas em custos estudou rigorosamente em vários pontos de venda qual o preço dessas refeições. E o resultado aí está. É bom, é barato”.

É admissível que estas ementas já não sejam um euro, há que actualizar custos, mas são propostas altamente estimulantes, desde a sopa de alho francês, a carne de vaca picada com macarrão cozido, o creme de cenoura, o bife de porco grelhado com arroz de couve penca, o creme de grão-de-bico com couve-de-bruxelas e o frango estufado com ervilhas e arroz de couve branca, sobremesas como a banana, a maçã ou a clementina. Como se compreenderá, sempre com um copo de água, o dinheiro não estica, o grande desafio desta causa não pode ser iludido, é possível comer bem e barato. Por isso esses nutricionistas fizeram incluir na brochura dicas para escolher alimentos, modos de confecção adequados, conselhos práticos para aproveitamento de sobras, como o ratatouille com macarrão ou arroz, a salada de frango.

Deixamos ao leitor vários sites, é possível reproduzir a publicação e o teor das campanhas, ouvir os nutricionistas. Bem estimulante seria que esta causa fosse abraçada pelas autarquias, por um sem número de organizações ligadas à cidadania votadas aos sem-abrigo, ao acompanhamento de doentes pobres, bom seria que os credos religiosos igualmente se envolvessem nesta forma de literacia em que a alimentação assume a dimensão do mais relevante interesse público. E as Misericórdias portuguesas, todas as IPSS ligadas à saúde bem podiam dar uma mãozinha. Aqui ficam os sites para quem de direito poder trabalhar: https://gulbenkian.pt/project/comer-bem-e-mais-barato-2/; http://www.apn.org.pt/ver.php?cod=0E0C0H.

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