Monchique continua a arder

Monchique continua a arder

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A OPINIÃO de ELISEU CORREIA;
Managing director EC Travel;
eliseucorreia@sapo.pt

Passaram-se seis meses do pior incêndio que alguma vez assolou a região. Na altura, a comunicação social foi incansável em explorar a dor, a desgraça e o desespero das nossas gentes.

Quem de direito também não quis deixar de aparecer e foi um corrupio de entidades oficiais a quererem aparecer e prometer ajuda a quem tinha perdido tudo.

E que ia ser célere.

E que ia ser diferente.

E que ia ser.

Mas não foi.

E não é.

Seis meses depois das 50 casas que foram destruídas, nem uma foi alvo de qualquer obra de recuperação.

Entre o lamaçal da burocracia, da impotência perante a avalanche dos obstáculos, as vítimas tornam a ser vítimas ou, melhor, nunca deixaram de o ser.

O PIB do Algarve nos últimos quatro anos cresceu o dobro do resto do país. O dobro!!

Seria motivo mais do que suficiente para que quem de direito parasse de olhar para a nossa região como se fosse uma colónia de férias de Agosto, para perceber que o povo algarvio existe durante 365 dias por ano.

Nos corações e nas almas de quem tudo perdeu… o incêndio ainda lavra (Foto: Lusa)

Para que finalmente nos dessem aquilo a que temos direito, porque trabalhamos diariamente e honestamente para isso.

Para que quem manda tivesse a sensatez de criar condições para que possamos produzir o que produzimos.

Nem que fosse para proteger a sua fonte de rendimento mais apetecível.

Porque se assim não for… qualquer dia a vaquinha deixa de dar leite, porque primeiro já não pode… e depois porque mesmo que quisesse já não quer.

Façam finalmente alguma coisa pela gente.

Podem começar por Monchique.

Porque nos corações e nas almas de quem tudo perdeu… o incêndio ainda lavra.

Todos os dias.

Monchique continua a arder.

Até quando?

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