Falta de farmácias na zona rural do concelho de Loulé afeta população

Falta de farmácias na zona rural do concelho de Loulé afeta população

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Para se deslocarem à farmácia, os habitantes do interior têm que ir à cidade de Loulé (Foto: Andrea Camilo)

No concelho de Loulé estão em funcionamento, atualmente, 15 farmácias (Fonte: dados do INE), das quais apenas três se encontram localizadas na zona da serra do concelho (Alte, Benafim e Salir), sendo que, uma delas (Salir), funciona maioritariamente através de encomenda, não tendo todos os medicamentos disponíveis para os consumidores.

Segundo dados do INE, em 2017, Loulé tinha 69.044 habitantes, desses, 14.286 (20,6%) eram idosos. A população residente na serra algarvia é, essencialmente, população idosa e com necessidades de apoio constante pelo que, a falta de farmácias nesta zona do município afeta diretamente a população residente. Outro dos problemas associados à falta de farmácias é a falta de transportes públicos de e para as aldeias mais rurais, como é o caso do Ameixial.

A freguesia do Ameixial localiza-se a norte do concelho de Loulé, junto à fronteira com o Alentejo e a cerca de 40 quilómetros da cidade. Diariamente, apenas um autocarro liga o Ameixial a Loulé, saindo da aldeia de manhã e regressando, apenas, ao final do dia.

Maria Luísa tem 78 anos, reside no Ameixial e não tem carta de condução, tem um neto que costuma ajudá-la nas deslocações e levá-la à farmácia quando necessário, mas a idosa queixa-se de que “quando estou doente e quero ir só a uma farmácia, sem ir ao médico, não há. Os medicamentos do mês eu dou a receita e há uma carrinha com medicamentos que vem cá, mas quando estamos constipados, por exemplo, não temos nada aqui perto. Só Almodôvar ou Loulé.”

Também na freguesia de Querença a população se queixa da falta de farmácias e multibanco na zona envolvente da vila, queixando-se que “temos de nos deslocar, pelo menos, 15 quilómetros para ir a uma farmácia ou um multibanco. Embora disponibilizem carrinhas de medicamentos e outras coisas, não nos chega, às vezes há eventualidades e precisamos das coisas mais rápido”, acrescenta Alexandre Dias, residente em Querença.

Junta de Freguesia tem feito esforços para levar ajuda médica à população

Maria Margarida Correia, presidente da União de Freguesias de Querença, Tôr e Benafim disse ao POSTAL que têm sido tomadas diversas medidas para resolver este problema, nomeadamente a criação de serviços de recolha de receitas e distribuição de medicamentos. “Na nossa união de freguesias só Benafim tem farmácia, ajudando a cobrir aquela zona. O centro comunitário da Tôr tem um serviço de recolha de receitas e traz os medicamentos de Loulé. Só Querença é que não tem nenhum sítio, mas a maioria das pessoas tem familiares a trabalhar em Loulé e ainda não nos chegou nenhuma reclamação. Também o lar [de Querença] tem um serviço de apoio ao domicílio que ajuda os idosos com a medicação”, disse Maria Margarida ao POSTAL.

De forma a ajudar a população no que diz respeito ao acesso à saúde, “a Junta de Freguesia disponibiliza, também, serviço de transporte aos médicos e enfermeiros para darem consultas na nossa freguesia. Em Querença e em Benafim há médico uma vez por semana e na Tôr são duas vezes por semana. Para além dos médicos, também disponibilizamos um serviço que permite a realização de análises, uma vez por semana em Querença”, acrescenta a presidente da União de Freguesias.

Maria Margarida lamenta, ainda, que “não haja nenhuma farmácia que se queira instalar nestes sítios com pouca população. Tem sido uma luta diária para manter estes postos médicos e estes serviços de apoio a funcionar, mas retirar estes serviços à população seria matar o interior. Nós criamos todas as condições para que os profissionais de saúde possam trabalhar aqui”.

(Andrea Camilo / Henrique Dias Freire)

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