O culto do jantarinho

O culto do jantarinho

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A OPINIÃO de ANA AMORIM DIAS;
Escritora;
www.anaamorimdias.blogspot.com
anamorimdias@gmail.com

O jogo Benfica-Sporting já ia avançado no tempo quando se lembraram dele.

– Não! Sabem que a televisão não se liga enquanto jantamos!

Ainda tentei reclamar, mas de nada serviu. Carregaram no botão do comando e, num segundo, a magia que sempre paira sobre os nossos jantarinhos, desvaneceu-se sem dó.

Luzes quentes e indiretas, uma boa playlist a tocar e todos sentados à mesa, só focados uns nos outros. Tão simples!

A comida acaba por ser um mero complemento ao que verdadeiramente nos nutre: a companhia uns dos outros. Apercebi-me melhor disso há uns dias quando, mais de meia hora depois de terminado o jantar, continuávamos os quatro sentados à mesa, a estender no tempo algo que apenas se confeciona no lume brando de muitos anos: a cumplicidade feliz.

– Tenho um trabalho para acabar… mas está-me a saber tão bem estar aqui…

Nesse instante apercebi-me ainda mais conscientemente da imensa fortuna que temos, os quatro. Senti de maneira quase palpável os benefícios que o culto do jantarinho nos traz enquanto família e enquanto indivíduos. E orgulhei-me tremendamente dos super poderes com que todos os jantarinhos nos fadam: ficamos mais fortes, nutridos, unidos, felizes e serenos. Ao sair desse maravilhoso limbo, ficamos prontos para tudo… e voltamos às nossas vidas com um brilho que se nos vê.

(CM)

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