Tavira, a encruzilhada de civilizações 2

Tavira, a encruzilhada de civilizações 2 [fotogaleria]

1081
PARTILHE
- PUB -

 

 

Beja Santos
Assessor do Instituto de Defesa do Consumidor
Consultor do POSTAL

Entra-se no Museu Municipal de Tavira/Palácio da Galeria para ver a mulher representada por Almada Negreiros, nada menos nada mais do que 55 obras, desenhos e pintura, a larga maioria pertencentes ao acervo da coleção moderna do Museu Calouste Gulbenkian, bem assim como excertos da sua obra literária e textos publicados nos jornais e revistas da época. A exposição visa mostrar a representação da mulher com um “olhar moderno”.

 

 

 

A curadora da exposição prestou declarações a uma agência noticiosa ao tempo da exposição tendo dito que “o olhar sobre a mulher ao longo da história da arte ocidental é um olhar masculino e aqui também não fugimos a essa regra. Estamos a falar de um homem que olha a mulher, que a retrata e que a torna objeto da sua pintura, do seu desenho ou da sua obra literária”. A curadora lembrou que Almada foi “um artista que abraçou a modernidade, que quis ser moderno acima de tudo, representou uma mulher emancipada”. E, mais adiante: “As mulheres já não são só objetos de contemplação ou representadas como passivas na obra dele, vamos sistematicamente encontrar mulheres ativas, mulheres desportivas – sobre as quais aliás ele escreve também –, mulheres bailarinas, cantoras, e que não estão em nenhuma posição necessariamente subalterna, pelo menos não são mostradas dessa forma e isso, mostrá-las de maneira diferente, era também sinal de modernidade”.

Almada Negreiros (1893-1970) viveu as primeiras décadas do século XX – período a que pertencem as obras expostas, enalteceu nos seus trabalhos este fenómeno da emancipação da mulher, por vezes associada a uma certa libertação de costumes e a uma vida boémia dos chamados anos loucos de 1920.

Um óleo célebre de Almada em que se representa com a sua mulher, a pintora Sarah Afonso.

 

Exposição magnífica, se é necessário adjetivar o que tão impressivas imagens oferecem ao leitor. Tavira tem presença fenícia, muçulmana, vestígios medievais, tem marcas do tardo-gótico e de um majestoso barroco, isto para já não falar de palácios e habitações solarengas de grande porte, algumas delas flanqueando o Rio Gilão, a caminho da Ria Formosa. Vamos passear, há um pôr do sol magnífico que espera por nós.

 

É fascinante descer do Palácio da Galeria até chegar aqui, onde o Rio Gilão vai abraçar a Ria Formosa, o viandante é um sortudo, com o dia e a hora, um poente magnífico no dia cálido, apetece caminhar mais para ganhar apetite para um jantar de peixe. E depois preparar, entre estes cheiros de maresia o dia de amanhã, o último em Tavira, mas sempre com uma enorme vontade de regressar.

(continua)

(CM)

Facebook Comments

Comentários no Facebook