Médico manda grávida em trabalho de parto de Portimão para Faro no...

Médico manda grávida em trabalho de parto de Portimão para Faro no veículo próprio

7420
PARTILHE
A julgar pela denúncia de Victoria Borozan, nem todos os responsáveis estarão a cumprir a recomendação do Ministério da Saúde (Foto D.R.)

Uma mulher de 34 anos em trabalho de parto foi este sábado manhã “aconselhada” a ir de Portimão para Faro em veículo próprio, na sequência do encerramento do bloco de partos no Hospital de Portimão.

Segundo a grávida, o médico que a atendeu considerou que não era necessário proceder à chamada de uma ambulância, apesar do iminente nascimento, além de estarmos em pleno verão com as estradas sobrelotadas no Algarve.

“Parabéns ao hospital de Portimão. Duas horas atrás entrei em trabalho de parto dez dias antes da data prevista. Vim com o meu marido às Urgências do Barlavento. O médico mandou-nos para Faro com o nosso carro, explicando que não há médico [obstetra]. Agora estou com a água a escorrer pelas pernas abaixo, a sair de Portimão, desculpem mas é a realidade, assustada, tanto eu como o meu marido. Obrigada a esta cidade por tudo!”, escreveu Victoria Borozan, cidadã originária da Moldávia, no grupo “Portimão Sempre Cidadania Participativa” na rede social Facebook.

O encerramento do bloco de partos no Hospital de Portimão foi decretado no passado fim de semana, com várias grávidas a ser transferidas para outros hospitais, como Faro ou Évora, nos últimos dias.

Na passada semana, o conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) admitia haver “dias inteiros sem um único pediatra ou obstetra na escala de serviço da maternidade de Portimão” durante os meses de verão, segundo apontou ao “Público” o secretário regional do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), João Dias.

“Os bombeiros e o INEM são, ou devem ser, informados que devem ir diretamente para Faro”, explicou então o responsável.

Segundo o Guia do Utente referente à Gravidez e Parto da Direção Geral de Saúde, divulgado pelo próprio Serviço Nacional de Saúde, “a grávida tem direito ao transporte gratuito para o hospital ou maternidade quando ocorram os sinais de trabalho de parto”.

Infelizmente, a julgar pela denúncia de Victoria Borozan, nem todos os responsáveis estarão a cumprir a recomendação do Ministério da Saúde: o Direito das grávidas ao transporte para a maternidade.

MAIS EM:

Crescente indignação leva a manifestação pela Maternidade do Hospital de Portimão

Dificuldades na Urgência Pediátrica do Algarve resolvidas no final do mês

Facebook Comments

Comentários no Facebook