Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe: Experiência global e multi-sensorial num templo...

Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe: Experiência global e multi-sensorial num templo rural

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A Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe constitui um ponto marcante no território na viagem entre Lagos e Sagres e integra-se numa paisagem ondulante de suaves colinas onde afloram os arenitos, o designado grés de Silves, ou “pedra farinheira”, como na região de Vila do Bispo é conhecida.

Projeto aprovado pelo Turismo de Portugal vai dotar a Ermida de Nossa Senhora
de Guadalupe de condições de acessibilidade (Foto Sergiy Scheblykin)

Reconhecido como um dos mais antigos testemunhos do gótico na região algarvia e um importante elemento patrimonial de particular relevância histórica, este templo constitui nos dias de hoje um importante lugar de memória para as comunidades locais.

O “Projeto de Acessibilidade Física, Informativa e Sensorial”, recentemente aprovado pelo Turismo de Portugal, no âmbito de uma candidatura da Direção Regional de Cultura do Algarve à Linha de Apoio ao Turismo Acessível do “Valorizar – Programa de Apoio à Valorização e Qualificação do Destino”, pretende munir o edifício da ermida de condições de acessibilidade física, informativa e sensorial, de forma compatível e coerente com a dimensão sagrada deste espaço, com as crescentes necessidades devido à afluência de públicos e com as dinâmicas especificas de funcionamento deste monumento nacional.

O objetivo primordial deste projeto é o de dotar a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe de um percurso acessível para qualquer visitante com mobilidade reduzida temporária ou permanente, e o de promover uma comunicação inclusiva, útil a todos os visitantes, contemplando estratégias, ações e recursos para eliminar barreiras físicas, mas também intelectuais, sensoriais, sociais ou culturais.

Ermida é um importante lugar de memória para as comunidades locais (Foto Vanda Oliveira)

Pretende-se proporcionar a todos os que visitam o templo uma experiência global mais inclusiva e mais próxima do lugar, oferecendo múltiplas oportunidades de aprendizagem, com uma estratégia de comunicação inclusiva, multissensorial e multimodal, com recurso a conteúdos mais humanizados e disponíveis em vários idiomas, letra ampliada, língua gestual portuguesa, sinais internacionais e braille.

O caráter inovador do projeto traduz uma nova visão de intervir na recuperação e fruição do património e prende-se com a implementação estratégica do conjunto das seguintes intervenções:

– um passadiço e rampa de acesso, que possibilitará, de forma muito simples, ultrapassar obstáculos de acessibilidade física ao interior do monumento;

Projeto vai proporcionar aos visitantes do templo uma experiência mais inclusiva
(Foto Lenea Andrade

– sinalética informativa no interior e na envolvente do monumento;

– um múpi interativo que nos dará a conhecer o enquadramento histórico do lugar, a origem do culto, assim como também as vivências, saberes e memórias mais recentes das comunidades;

– um efeito holográfico que permitirá uma experiência sensorial mais atrativa e diferenciadora, que ajudará a compreender a relevância histórica e patrimonial do lugar.

Pretende-se, com este projeto, proporcionar uma nova forma de ver, observar, interpretar e sentir este lugar de memória.

(Artigo publicado no Caderno de Artes Cultura.Sul)

(CM)

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